Por thiago.antunes
Rio - A preservação do Bilhete Único é questão vital para os trabalhadores mais pobres do Grande Rio. Por causa da crise financeira que solapou o estado, essa política de integração tarifária nos transportes vem sendo ameaçada, e suas principais conquistas não podem ser perdidas. Mais do que números, precisamos atentar para os fatores sociais da questão.
Os maiores beneficiados pelo programa são os moradores dos municípios que ficam no entorno da capital, principalmente os da Baixada e de São Gonçalo. Antes da implantação desse modelo de cobrança, essas pessoas sofriam descriminação ao se candidatar a uma vaga de emprego.
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O principal obstáculo era o custo do transporte, que fica encarecido pelo uso de pelo menos dois modais. Com a integração de tarifas, ficou mais fácil para esses trabalhadores da periferia conseguirem emprego nos maiores polos.
Por isso, são tão preocupantes as notícias de suspensão do benefício por atrasos nos repasses do governo, mesmo que temporariamente. Sem a contribuição dos cofres públicos, não há como manter o programa e as dificuldades do caixa fluminense já atingiram em cheio o Bilhete Único. O temor maior é de quem usa os ônibus, vans e barcas intermunicipais, que são os mais caros.
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A primeira tentativa do governo em sanar o problema foi limitando a cobertura a R$ 150 por pessoa ao mês. Tal medida resultaria numa desfiguração. Um trabalhador que precisa pegar um ônibus intermunicipal para o Centro do Rio e depois o metrô ou outro ônibus para a Zona Sul, por exemplo, não seria mais beneficiado durante o mês inteiro.
A necessidade de corte de gastos é de fato premente diante do atual quadro, mas não podemos permitir que os mais pobres paguem a conta pela crise.  Por isso, a limitação do uso do Bilhete Único aos trabalhadores isentos do Imposto de Renda ou com renda declarada de até R$ 3 mil foi uma solução razoável para se preservar o programa, que acaba incluindo indiscriminadamente pessoas com salários mais altos.
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Com a recuperação da situação financeira do estado, as faixas salariais devem ser revistas. Como estamos enfrentando uma fase também de alta do desemprego, preservar o desconto para os mais necessitados é uma medida de bom senso para se evitarem 
Luiz Martins é líder do PDT na Alerj