Isa Colli é jornalista e escritora Divulgação
Isa Colli - O Relógio do Fim do Mundo: uma contagem regressiva baseada em ameaças reais
Desde 1947, o Relógio do Juízo Final, criado pelo Boletim de Cientistas Atômicos, representa a proximidade da humanidade de uma catástrofe global. Seu ajuste não é aleatório, mas baseado em fatores cientificamente comprovados, como a ameaça nuclear, crises ambientais e instabilidades geopolíticas. Atualmente, o Relógio marca 90 segundos para a meia-noite, a menor margem de segurança já registrada. Sua configuração é definida por análises científicas e relatórios de especialistas.
Ao longo das décadas, os ponteiros oscilaram conforme avanços e retrocessos nas relações diplomáticas e políticas internacionais.
A ameaça nuclear continua sendo um dos maiores riscos globais. Os Estados Unidos, ao expandirem sua presença militar e abandonarem acordos cruciais como o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), aumentam a instabilidade mundial. O apoio político e militar a Israel intensifica os conflitos no Oriente Médio, elevando as chances de confrontos armados. Israel, por sua vez, mantém um arsenal nuclear não declarado e adota políticas expansionistas que agravam a crise geopolítica na região.
A saída dos Estados Unidos de organismos multilaterais e do Acordo de Paris sobre Mudança Climática compromete os esforços globais para conter o aquecimento global, um dos maiores desafios ambientais do século. O enfraquecimento dos tratados comerciais impulsiona o nacionalismo econômico e dificulta a implementação de soluções conjuntas para problemas globais.
Israel desempenha um papel fundamental na geopolítica do Oriente Médio. A ausência de compromisso com acordos diplomáticos e a adoção de estratégias militares preventivas ampliam as tensões e impactam diretamente a percepção global do risco nuclear. Aumento das crises humanitárias e conflitos armados reforçam a manutenção dos ponteiros do Relógio em uma posição crítica.
Na América do Sul, Brasil e Argentina são peças-chave no cenário geopolítico. O Brasil, como maior economia da região, pode influenciar políticas ambientais e energéticas globais. No entanto, cortes em investimentos na sustentabilidade e a exploração de recursos naturais sem regulamentação eficaz podem acelerar as mudanças climáticas. A Argentina, por sua vez, passa por um momento de reestruturação política e econômica, cujas decisões podem impactar o equilíbrio comercial e ambiental da região.
O conflito entre Rússia e Ucrânia também influencia o Relógio. A retórica nuclear da Rússia e a instabilidade na região elevam o risco de uma escalada militar global. A crise econômica resultante da guerra afeta cadeias de suprimentos globais e a segurança alimentar, acelerando crises humanitárias.
Outros conflitos, como a guerra civil no Iêmen e a instabilidade no Sudão, agravam o cenário global. O aumento da circulação de armas em zonas de guerra e a falta de governança eficaz elevam o risco de escaladas imprevisíveis que podem comprometer a estabilidade mundial.
Apesar dos desafios, ainda há soluções para reverter essa tendência. O fortalecimento de tratados de desarmamento nuclear, investimentos em energia renovável e regulações internacionais para a inteligência artificial podem reduzir os riscos e afastar os ponteiros do Relógio da meia-noite.
O Relógio do Fim do Mundo não é apenas um alerta simbólico, mas um reflexo de dados científicos e análises estratégicas que indicam o nível de vulnerabilidade global. A história mostra que é possível reverter essa trajetória, desde que haja cooperação internacional e compromisso com soluções sustentáveis. O futuro não está definido. Cabe à grande maioria da humanidade contrária a conflitos não se calar, e começar a manifestar seu desejo por paz, nem que tenha que segurar os ponteiros com suas próprias mãos.
Por Isa Colli, jornalista e escritora

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