André CodeaDivulgação
Para estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Dislexia ou mesmo com transtornos do desenvolvimento mais severos, como a Deficiência Intelectual (DI) ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), a IA oferece personalização com propriedade. Imagine sistemas que adaptam o conteúdo ao ritmo e estilo de cada aluno, como o MyLearning, ferramenta que ajusta o currículo individualmente. Aplicativos de acessibilidade, como o VLibras, rompem barreiras de comunicação ao converter textos para a Língua Brasileira de Sinais, e o Seeing AI, que descreve o mundo para deficientes visuais. Essas tecnologias, entre outras, podem criar exercícios que ajustam fontes e espaçamentos para disléxicos, ou até gerar histórias sociais personalizadas para alunos com TEA, promovendo autonomia e engajamento, ou adaptando a linguagem para alunos com DI, para melhor entendimento. A IA, desta forma, pode atuar como um assistente poderoso, automatizando tarefas repetitivas e liberando o professor para o papel insubstituível de mediador humano, focando na empatia e no suporte socioemocional.
Mas a presença da IA não para por aí. Ela também pode auxiliar o professor com dados personalizados sobre cada aluno, para que se possa fazer um planejamento e monitoramento cada vez mais precisos, ou ainda auxiliar na confecção e acompanhamento de um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). Contudo, é importante salientar que o papel da interação humana, da empatia e do afeto continua sendo o coração da educação, algo que a IA jamais substituirá. O desafio é integrar a tecnologia sem desumanizar o processo educacional. Por outro lado, a IA não é infalível, e toda informação precisa ser verificada para que se tenha certeza de sua autenticidade. Portanto, sempre passará pelo critério docente.
A IA na educação especial é uma promessa de maior inclusão e personalização, com inúmeros exemplos práticos já em curso no Brasil e no mundo. Pode se tornar, com certeza, uma ferramenta valiosa para o trabalho docente. Mas para que essa revolução seja justa e benéfica para todos, é vital que educadores sejam capacitados, e junto com pais e formuladores de políticas públicas, dialoguem sobre como implementá-la com responsabilidade e visão.
Especialmente em um momento histórico em que o número de alunos com necessidades específicas é cada vez maior em nossas salas de aulas, com um nível de complexidade crescente em sua multiplicidade de condições, é hora de construir um futuro educacional no qual a tecnologia sirva ao professor como uma ferramenta poderosa, mas sobretudo sirva à humanidade, e não o contrário, garantindo que nenhum aluno seja deixado para trás em suas necessidades específicas, em benefício de todos.
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