Larissa PimentelDivulgação
Aqui, vamos refletir sobre o diabetes tipo 2. O diabetes acontece quando o corpo não consegue usar a insulina, o hormônio que controla o açúcar no sangue, da maneira correta. O pâncreas, que é o órgão responsável por produzir essa insulina, vai se desgastando e perde a capacidade de equilibrar o açúcar no sangue. Hoje, as crianças estão expostas a fatores que aceleram esse processo: muito tempo sentadas, má alimentação e pouco sono. O resultado é preocupante: uma geração com risco de adoecer ainda na infância.
Segundo especialistas, o número de jovens com diabetes tipo 2 cresce cerca de 2,3% ao ano, e, se nada mudar, em 40 anos o número de casos pode quadruplicar. Além de crescer rápido, a doença costuma ser mais agressiva nas crianças, com destruição acelerada das células produtoras de insulina. As complicações também chegam mais cedo: problemas nos rins, visão, nervos, coração e até o risco de AVC.
A principal causa é a obesidade infantil, resultado do excesso de alimentos ultraprocessados e da falta de movimento. Hoje, a obesidade é a doença crônica número um entre as crianças brasileiras. Por isso, os médicos já recomendam que meninos e meninas com sobrepeso ou histórico familiar façam o exame de glicose a partir dos 10 anos de idade. Detectar cedo é fundamental para evitar danos futuros.
O tratamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, com médico, nutricionista, educador físico e psicólogo. O foco é mudar o estilo de vida: perder entre 7% e 10% do peso, praticar pelo menos uma hora de atividade física por dia e reduzir o tempo de tela. A alimentação deve priorizar comida de verdade — frutas, legumes, arroz, feijão e carnes magras — e deixar de lado os ultraprocessados, como salgadinhos, refrigerantes e biscoitos.
Hoje, a tecnologia é uma aliada importante: existem sensores e aplicativos que ajudam no controle da glicose e alertam sobre mudanças nos níveis de açúcar no sangue. Em alguns casos, o médico endocrinologista pode indicar medicações específicas para ajudar no controle da doença e das comorbidades, como a obesidade.
Mas nada substitui a educação e o exemplo dentro de casa. Pais e responsáveis precisam entender a doença e incentivar hábitos saudáveis. Se a família come bem e pratica atividades físicas, a criança tende a seguir o mesmo caminho.
O Diabetes na infância é um reflexo do nosso tempo: muito sofá, pouca brincadeira e comida industrializada. No Dia Mundial do Diabetes, o convite é claro: vamos mudar essa rotina? Prevenir é o melhor remédio, e ele começa com atitudes simples: comer melhor, dormir bem e colocar o corpo em movimento. Afinal, criança saudável é criança livre para brincar, crescer e viver bem.

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