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William Rutzen: O caminho para desinflamar o corpo
Desinflamar o corpo não é uma promessa milagrosa nem um modismo passageiro. É uma estratégia baseada em ciência para reduzir a atividade inflamatória crônica que está por trás de diversas doenças modernas, incluindo as autoimunes, metabólicas e cardiovasculares. A inflamação é um mecanismo natural de defesa, fundamental para combater infecções e reparar tecidos. O problema surge quando ela deixa de ser pontual e passa a funcionar de forma contínua, silenciosa e desregulada.
Grande parte dessa inflamação persistente é alimentada pelo estilo de vida contemporâneo. A alimentação rica em carboidratos refinados, açúcar e produtos ultraprocessados favorece picos de glicose e insulina, acúmulo de gordura corporal e ativação constante do sistema imunológico. Reduzir esses estímulos é o primeiro passo. Uma estratégia alimentar com menor carga de carboidratos, maior ingestão de proteínas de qualidade, vegetais, gorduras naturais e exclusão de alimentos altamente processados tende a promover saciedade, facilitar o controle do peso e diminuir gatilhos inflamatórios.
O intestino merece atenção especial nesse processo. Cerca de 80% das células do sistema imunológico estão concentradas ao redor dessa estrutura. Quando a barreira intestinal é constantemente exposta a substâncias potencialmente irritativas, como aditivos químicos e alimentos ultraprocessados, o sistema imune pode ser ativado de forma excessiva. Cuidar da saúde intestinal é, portanto, cuidar do equilíbrio inflamatório do organismo.
O jejum intermitente, quando bem indicado e acompanhado por profissional habilitado, pode contribuir para melhorar parâmetros metabólicos e modular respostas inflamatórias. Não se trata de restrição extrema, mas de permitir períodos em que o corpo possa reorganizar seus processos internos sem estímulo alimentar constante.
A atividade física regular é outro pilar fundamental. O movimento e o ganho de massa muscular influenciam positivamente marcadores inflamatórios e ajudam no controle do peso e da resistência à insulina. O sedentarismo, por outro lado, mantém o organismo em estado de alerta inflamatório permanente.
O sono é frequentemente negligenciado, mas desempenha papel decisivo. A privação de sono aumenta substâncias inflamatórias e intensifica a percepção de dor, especialmente em pessoas com condições crônicas. Estabelecer rotinas de higiene do sono, reduzir exposição à luz artificial à noite e respeitar horários regulares são medidas simples com grande impacto.
Quando se fala em “detox”, é preciso clareza. A verdadeira desintoxicação não está em sucos milagrosos, mas na remoção de comportamentos tóxicos como tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse crônico e má higiene bucal. Suplementos podem ser úteis em casos específicos, mas não substituem os fundamentos do estilo de vida.
Desinflamar o corpo exige consistência. Mudanças sustentáveis, avaliadas ao longo do tempo, tendem a produzir resultados mais sólidos do que intervenções radicais e temporárias. Essa abordagem é aprofundada em meu livro Desinflamar para viver melhor.
William Rutzen é médico intensivista e autor do livro 'Desinflamar para viver melhor - A ciência e a prática para vencer a inflamação crônica e controlar a sua doença autoimune'

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