Léo Vilela é um dos principais nomes da confeitaria artística brasileiraFoto: Divulgação/Festival do Chocolate
Escultura gigante de chocolate será produzida ao vivo no Festival do Chocolate de Petrópolis
Artista brasileiro levará quatro dias para criar homenagem ao Dom Cacau, que será compartilhada com crianças em ação social no encerramento do evento
Petrópolis - Quem passar pelo Palácio de Cristal durante o Festival do Chocolate de Petrópolis poderá acompanhar, em tempo real, a transformação de mais de 100 quilos de chocolate em uma obra de arte. Entre os dias 29 de julho e 2 de agosto, o artista do chocolate, escultor e confeiteiro Léo Vilela criará ao vivo uma escultura monumental de Dom Cacau, personagem oficial do festival. Com 1,90 metro de altura e construída exclusivamente com chocolate meio amargo, sem qualquer estrutura metálica ou de madeira em seu interior, a obra poderá ser acompanhada pelo público durante todas as etapas de sua execução.
Reconhecido internacionalmente por suas esculturas em chocolate, Léo é considerado um dos principais nomes da confeitaria artística brasileira. Sua trajetória inclui participações em eventos no Brasil, Estados Unidos, Espanha, México, Argentina e Portugal, além de representar o Brasil no Salon du Chocolat, em Paris, considerado o mais importante evento do segmento no mundo.
Para o escultor, produzir uma obra diante do público faz parte da experiência. "No começo eu ficava mais retraído, mas aprendi a gostar dessa interação. As pessoas conversam, fazem perguntas, batem no vidro onde estou trabalhando e acompanham cada etapa. A reação delas acaba me inspirando. De certa forma, elas também passam a fazer parte da escultura".
Apenas chocolate
Um dos aspectos que mais chama a atenção é que a escultura será construída utilizando apenas chocolate. Serão mais de 100 quilos da iguaria moldados até formar uma representação de Dom Cacau em movimento, segurando seu tradicional cajado. A única estrutura utilizada será a base de apoio da escultura, já que toda a obra será produzida exclusivamente em chocolate.
Segundo Léo, essa característica torna o desafio ainda maior. "As pessoas costumam perguntar se existe algum arame ou estrutura escondida. Não existe. É só chocolate. Cada escultura tem um desafio diferente, principalmente por causa da gravidade e da temperatura. Tudo precisa permanecer estável apenas com a resistência do próprio chocolate", explica.
A previsão é que a obra seja concluída ao longo de quatro dias de trabalho, período em que o artista permanecerá produzindo a escultura diante dos visitantes.
Arte, chocolate e desafios
Embora já tenha produzido esculturas monumentais de até 500 quilos de chocolate, esta será a primeira vez que Léo trabalhará em Petrópolis. Segundo ele, cada novo projeto representa um desafio completamente diferente. "Trazer a expressão de um personagem que as pessoas já conhecem talvez seja um dos maiores desafios. Quero que elas olhem para a escultura e reconheçam imediatamente o Dom Cacau", diz.
Além da criação artística, fatores como temperatura, logística e tempo de execução tornam cada trabalho único. "Uma escultura desse porte normalmente levaria cerca de oito dias para ser produzida. No festival ela será construída em apenas quatro. É um desafio que gosto de aceitar".
Do desenho à escultura em chocolate
A relação de Léo com a arte começou ainda na infância. Desde pequeno gostava de desenhar e, aos dez anos, passou a ajudar uma tia confeiteira decorando bolos. Anos depois, descobriu que poderia unir as duas paixões.
A participação no programa Batalha dos Confeiteiros Brasil impulsionou sua carreira e abriu caminho para o desenvolvimento da confeitaria artística. Em 2020, aprofundou seus estudos em chocolateria e passou a se dedicar às esculturas monumentais em chocolate, que hoje se tornaram uma de suas principais marcas.
"Brinco que sou um artista plástico que faz confeitaria, ou um confeiteiro que faz arte. O chocolate me conquistou justamente pelas possibilidades que oferece como matéria-prima", explica.
Uma obra feita para ser compartilhada
Ao contrário do que acontece em museus, onde algumas esculturas permanecem em exposição por anos, a obra criada em Petrópolis terá um destino diferente.
Após o encerramento do Festival do Chocolate, a escultura será desmontada e compartilhada com as crianças atendidas pela Pequena Tribo, projeto social da Organização Vishva Vidya que atua em Petrópolis com foco no desenvolvimento integral de crianças em situação de vulnerabilidade. Atualmente, a iniciativa beneficia 130 crianças, entre 6 e 10 anos, em sua sede no Vale do Carangola e na Escola Municipal Major Júlio Koeler, no Retiro. Por meio de oficinas de arte, música, dança, contação de histórias e práticas inspiradas em culturas ancestrais, o projeto promove o desenvolvimento socioemocional, a criatividade, a empatia e a convivência no contraturno escolar.
A ação reforça a proposta do Festival do Chocolate de unir gastronomia, cultura e responsabilidade social. Depois de acompanharem de perto a escultura e conhecerem o artista responsável pela obra, as crianças da Pequena Tribo participarão do momento simbólico em que a criação será desmontada e compartilhada, encerrando o festival com um gesto de solidariedade e celebração.
Para Léo Vilela, esse momento representa o verdadeiro sentido da arte feita com chocolate. "O chocolate é algo ligado à felicidade e à celebração. Saber que uma obra construída durante dias será compartilhada com tantas crianças faz todo sentido. É uma arte efêmera. Ela existe para ser vivida, admirada e, no final, compartilhada".
Segundo Rodrigo Ribas, coordenador da Pequena Tribo, a expectativa é proporcionar às crianças uma experiência que vai muito além do contato com o chocolate.
"Nossa expectativa é proporcionar às crianças a oportunidade de participar de um evento que, para muitas delas, talvez não fosse possível vivenciar. Sabemos que grande parte dos nossos alunos tem poucas oportunidades de acesso a atividades culturais e de lazer, até mesmo dentro de Petrópolis. Cada passeio amplia o repertório, desperta a curiosidade e cria memórias que elas levam para a vida toda. É muito gratificante poder proporcionar esse tipo de experiência”, conta.





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