Vitrines natalinas já começam a aparecer no comércio petropolitanoFoto: Divulgação/CDL
Natal chega às vitrines e comércio transforma antecipação em estratégia de vendas
Lojas de Petrópolis começam a apostar na decoração natalina ainda em setembro; CDL explica mudança no calendário do varejo
Quem circula pelo comércio de Petrópolis já pode encontrar os primeiros sinais de que o Natal está chegando. Algumas lojas da cidade começaram a montar vitrines natalinas ainda em setembro, antecipando uma decoração que tradicionalmente aparecia mais perto de dezembro. A mudança pode causar surpresa em quem se depara com árvores, luzes e elementos típicos da data antes mesmo da primavera, mas acompanha uma transformação na forma como o varejo organiza suas temporadas de vendas.
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL Petrópolis), a antecipação está relacionada a uma combinação de fatores. O principal deles é a busca por ampliar o período de compras, estimulando o consumidor a começar a pensar nos presentes e nas despesas de fim de ano com mais antecedência.
“O Natal deixou de ser uma temporada concentrada em poucas semanas de dezembro. O comércio vem trabalhando cada vez mais com a ideia de antecipação, porque o consumidor também mudou. Muitas pessoas preferem distribuir os gastos ao longo dos meses, pesquisar com calma e aproveitar oportunidades antes da correria de fim de ano”, explica Cláudio Mohammad, presidente da CDL Petrópolis.
A vitrine também ganhou importância como ferramenta de comunicação. Em uma época em que o consumidor é impactado diariamente por campanhas nas redes sociais, a loja física precisa chamar atenção e criar uma conexão imediata com quem passa pela rua. A decoração natalina funciona, nesse sentido, como uma extensão da comunicação das marcas.
“O lojista precisa disputar atenção o tempo todo. A vitrine é uma mídia e, no Natal, ela também ajuda a criar desejo, expectativa e identificação com a data. Quando uma loja começa a decoração, ela está sinalizando que uma nova temporada comercial está começando”, afirma Cláudio.
Outro fator é a proximidade entre grandes momentos do calendário de consumo. A Black Friday, realizada no fim de novembro, praticamente se encosta nas compras de Natal. Com isso, os lojistas precisam planejar a comunicação e os estoques para duas importantes fases de vendas consecutivas, e a decoração natalina pode começar a aparecer antes mesmo da Black Friday.
Antes mesmo da Black Friday, porém, o comércio ainda tem pela frente outra data de forte movimentação: o Dia das Crianças, em 12 de outubro. A proximidade entre essas três ocasiões — Dia das Crianças, Black Friday e Natal — faz com que os lojistas precisem planejar com antecedência uma sequência de campanhas e oportunidades de venda que se estende por praticamente todo o último trimestre do ano.
A antecipação também acompanha o comportamento digital. Produtos, tendências de decoração, sugestões de presentes e campanhas de Natal começam a circular nas redes sociais semanas ou meses antes da data. O comércio físico acompanha esse movimento para não ficar distante do calendário que o consumidor já está vivenciando no ambiente digital.
Nos shoppings, a estratégia ganha ainda outro componente: a criação de uma experiência. A decoração de Natal pode ser associada a atrações, encontros familiares, fotografias e atividades para crianças, transformando os espaços comerciais em destinos de lazer e convivência durante um período mais longo.
Para Cláudio Mohammad, entretanto, antecipar o Natal não significa necessariamente transformar setembro em dezembro. “Existe uma diferença entre antecipar a comunicação e perder a referência do calendário. O desafio do comércio é encontrar o momento adequado para começar a criar esse ambiente sem deixar de preservar a expectativa que faz parte do Natal”, avalia.
A tendência, segundo ele, é que o calendário do varejo continue cada vez mais planejado em temporadas, com campanhas que começam antes e se estendem por mais tempo. “O Natal continua sendo o grande momento de confraternização e de compras do ano, mas o caminho até dezembro mudou. Para o lojista, começar a trabalhar antes significa mais tempo para apresentar produtos, criar relacionamento e oferecer opções para diferentes perfis de consumidores”, conclui.
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