Lançamento no dia 17 de outubroFoto: Divulgação/Confraria do Poesia Informal
“Ali vimos que nenhum de nós estava só em sua poesia. Éramos a Confraria”, comenta a poeta Catarina Maul, idealizadora e coordenadora do grupo, que também organizou e editou a nova antologia.
Quinze anos depois, o coletivo soma cerca de 80 integrantes, mais da metade de outras cidades, estados e países, e chega ao 12º livro. "Poesia Liberta – 15 anos" reúne 42 poetas que fazem parte da história da Confraria. O lançamento será no dia 17 de outubro, das 13h às 17h, no Ipiranga Mix, em Petrópolis (RJ).
“Percebi que nem toda poesia, nem todo poeta, cabia nos lugares que determinaram para nós. A Confraria foi o sonho de construir uma casa própria para todos. Foi erguida tijolo por tijolo, unindo concreto e afeto”, complementa.
Projeto itinerante
A Confraria nunca teve sede. Reuniões e saraus sempre circularam pela cidade, e durante um período um dos pontos de encontro foi o Studio S, de Nicolau Abdu, que abriu as portas ao coletivo. “Uma quarta-feira por mês, o Studio S era todo nosso. Recebíamos ali gente de todos os segmentos artísticos de Petrópolis”, lembra Paulo.
Poesia como remédio
O período também consolidou o WhatsApp como ponto de encontro. É lá que nasce o "Segundas com Poesia", projeto idealizado por Catarina em janeiro de 2021 e coordenado desde então pela professora Elciana Goedert, de Curitiba. Toda semana, os poetas enviam poemas curtos, de até dez versos, que Elciana revisa e transforma em cards para as redes sociais. De lá para cá, foram aproximadamente 4.700 publicações.
Um desses cards ela guarda de forma especial. Em 10 de abril de 2024, o médico e poeta Arnaldo Rippel enviou seu poema da semana. Elciana escolheu para ele a imagem de asas. Arnaldo faleceu no dia seguinte, e o card foi ao ar em 15 de abril.
Elciana está no grupo desde 2011, convidada pela poeta petropolitana Luana Lagrecca, e participou de todas as antologias da Confraria desde a primeira, em 2014. Os três poemas que assina no novo livro, "Às margens do mesmo rio", "Bullying: a ferida juvenil" e "Bússola-esperança", nasceram de conversas no grupo. “A poesia é uma expressão muito íntima, mas não precisa ser uma experiência solitária. Quando compartilhamos nossos versos, descobrimos que aquilo que nasceu de uma vivência tão particular pode encontrar eco em alguém a quilômetros de distância. É aí que um grupo como a Confraria deixa de ser apenas um espaço de divulgação e passa a ser um lugar de pertencimento”, comenta.
Quem chega agora
A capa, assinada por Erick Maul, também responsável pelo projeto gráfico, traduz a ideia: a palavra "liberdade" aparece escrita em vários idiomas.
Em 2025, a Confraria foi reconhecida como Ponto de Cultura, e Catarina ainda se surpreende com o caminho percorrido. “Quando escrevemos uma história real, no cotidiano, nunca sabemos quantos capítulos ela terá. Esses 15 anos voaram, e me pego perplexa vendo como foi tudo intenso e rápido. Acho que chegamos aqui porque nossos interesses sempre foram coletivos. Foi o que fez dar certo”, comenta.
Para Paulo, que no livro publica "Ipê amarelo", "Meu nome" e "Cicatriz", pouca coisa mudou desde aquela tarde fria na Praça Dom Pedro. “O que mudou foi o mundo. A Confraria é a mesma clínica de loucos pela poesia até hoje”, conta.
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