Sessão da Câmara voltou a discutir problemas relacionados à Atenção Primária, com destaque para a demora na emissão de laudos e a perda de investimentos para a saúdeFoto: Ilustração

Quissamã - A saúde mental voltou a ocupar espaço de destaque durante a sessão da Câmara Municipal de Quissamã. Entre os assuntos discutidos, ganhou força a cobrança por maior agilidade na emissão de laudos para crianças atendidas pela rede pública, situação que, segundo as manifestações feitas no plenário, estaria comprometendo o acesso de pacientes aos tratamentos especializados e prolongando a espera de famílias que dependem exclusivamente do atendimento oferecido pelo município.
Durante os debates, foi levantada a preocupação com uma suposta falta de resolutividade em demandas relacionadas à saúde mental, considerada uma atribuição da Atenção Primária, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde. Também foi ressaltado que, quando se trata da emissão de laudos, o tempo faz diferença no desenvolvimento infantil.
O entendimento apresentado durante a sessão é de que cada dia sem diagnóstico representa um atraso no início de terapias, acompanhamentos especializados, inclusão escolar e demais direitos assegurados às crianças. As manifestações também destacaram a realidade vivida por famílias atípicas, especialmente nos casos em que criança e responsável convivem simultaneamente com comorbidades, cenário que amplia o desgaste emocional e aumenta a dependência dos serviços públicos.
Ainda segundo o que foi discutido durante a sessão, a administração municipal foi cobrada por respostas mais rápidas para situações consideradas urgentes, diante da expectativa de que a Atenção Primária consiga oferecer encaminhamentos mais céleres para pacientes que aguardam atendimento especializado.
Outro assunto que também voltou ao debate foi a perda do investimento de R$ 2,4 milhões destinado à construção de uma nova Unidade Básica de Saúde no bairro Sítio Quissamã.
O projeto fazia parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC Saúde), mas acabou desabilitado pelo Ministério da Saúde por descumprimento de exigências técnicas previstas para a etapa preparatória da obra. A decisão foi oficializada pela Portaria GM/MS nº 11.604, assinada pelo ministro Alexandre Padilha.
A unidade seria construída justamente para ampliar a estrutura da Atenção Primária e reduzir a demanda sobre outras unidades da rede municipal. Para participantes da sessão, a perda desse investimento reforça a necessidade de fortalecer os serviços básicos de saúde, especialmente em um momento em que aumentam as cobranças relacionadas ao atendimento da população.
A equipe de reportagem do Jornal O DIA procurou a Prefeitura de Quissamã para comentar os questionamentos apresentados durante a sessão, tanto em relação ao atendimento na área de saúde mental quanto à perda da habilitação do projeto da nova Unidade Básica de Saúde. Até o fechamento desta edição, não houve manifestação oficial. O espaço permanece aberto e a matéria será atualizada assim que houver posicionamento do município.