Portas fechadas, atendimento interrompido e clientes obrigados a rever os planos. A equipe de reportagem do jornal O DIA esteve na agência da Caixa Econômica Federal em Quissamã e constatou de perto a paralisação dos serviços presenciais. O cenário faz parte da greve dos empregados da instituição, movimento que também atinge agências de Macaé.
A paralisação integra uma mobilização nacional dos trabalhadores da Caixa e foi deflagrada após a rejeição de propostas apresentadas pelo banco durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Na região, a decisão pela adesão ao movimento foi aprovada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Bancários de Macaé e Região.
Segundo as informações divulgadas pela entidade, 88,10% dos trabalhadores que participaram da votação foram favoráveis à greve, enquanto 11,90% votaram contra. Não houve registro de abstenções.
O movimento interfere diretamente na rotina de quem precisa resolver algum problema dentro da agência. Para o cliente que chega ao banco esperando atendimento no balcão, a alternativa pode ser encontrar as portas fechadas e ter de buscar outro caminho para realizar a operação.
Agência em Quissamã entra no radar da paralisação A situação encontrada pela equipe do O DIA em Quissamã mostra como uma negociação trabalhista, iniciada nos bastidores entre representantes dos empregados e da Caixa, chega rapidamente à rotina de quem precisa dos serviços bancários.
Entre os atendimentos que podem exigir presença física estão entrega de documentos, determinadas operações de crédito, questões cadastrais e procedimentos que não estejam disponíveis nos canais digitais. Por isso, antes de sair de casa, a recomendação é verificar se a operação pode ser realizada por outro meio.
Aplicativo Caixa, Internet Banking, caixas eletrônicos, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui continuam sendo alternativas para diversas operações, conforme o tipo de serviço. Pagamentos, transferências, consultas e saques estão entre as opções que podem ser realizadas fora do atendimento tradicional da agência.
O movimento, portanto, não significa que todos os serviços da Caixa estejam parados. O principal impacto está no atendimento presencial prestado pelos empregados que aderiram à paralisação.
Saúde Caixa e condições de trabalho estão no centro A origem da greve está no impasse envolvendo a renovação do ACT específico dos empregados da Caixa. Entre os temas que aparecem nas negociações estão o Saúde Caixa, condições de trabalho, regras de remuneração e mecanismos ligados à Participação nos Lucros e Resultados.
A categoria também cobra mudanças relacionadas ao modelo de atendimento nas agências, além de reivindicar melhores condições para o desempenho das atividades e reforço do quadro de funcionários.
O Saúde Caixa ganhou destaque nas negociações. Segundo a Fenae, uma das principais entidades de representação dos empregados, a proposta apresentada pelo banco provocou resistência entre os trabalhadores, especialmente em relação ao custeio e à sustentabilidade do plano.
A disputa, no entanto, não ficou parada. Depois do início da greve, a Caixa reabriu a mesa de negociação com as entidades representantes dos empregados. A retomada ocorreu após mobilizações em diversas regiões do país.
Nova proposta pode mudar os próximos passos O cenário teve uma nova movimentação na quinta-feira (17). Em meio à greve nacional, a Caixa apresentou uma nova proposta para o Saúde Caixa e outros pontos do acordo coletivo. Entre as mudanças anunciadas está a elevação do limite de participação do banco no custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 9% da folha de pagamento, além da manutenção do pacto intergeracional e do plano no ACT.
A proposta também prevê mudanças em regras relacionadas ao Super Caixa, discussões sobre carreira e outros pontos reivindicados pelos empregados. O documento ainda mantém direitos previstos nos acordos coletivos e estabelece condições para pagamento de valores relacionados à PLR e ao abono, caso a proposta seja aprovada.
A nova proposta será levada aos empregados para votação em assembleias previstas para segunda-feira (21). A decisão da categoria poderá definir os próximos passos da paralisação e das negociações com a Caixa.
Greve muda rotina de quem depende da agência Em Quissamã, o efeito mais imediato para o cliente é simples de perceber: quem precisa falar diretamente com um funcionário da Caixa pode não conseguir atendimento presencial durante a paralisação.
A situação exige atenção principalmente de pessoas que dependem de procedimentos que não podem ser concluídos pelo celular, pelo computador ou pelos terminais de autoatendimento.
A Caixa tem participação em uma série de serviços que vão além das operações bancárias tradicionais. A instituição atua, por exemplo, em operações relacionadas ao FGTS, PIS, programas habitacionais e benefícios sociais. Também participa do pagamento de benefícios do INSS para parte dos beneficiários.
Por isso, uma paralisação prolongada pode atingir públicos que procuram a agência não apenas para movimentar uma conta, mas para resolver pendências relacionadas a programas e serviços públicos.
A orientação para o consumidor é conferir primeiro os canais disponíveis e, quando houver possibilidade, antecipar procedimentos presenciais. Em caso de dúvida, também é importante verificar diretamente com a instituição se determinada operação está disponível de forma digital ou em um correspondente.
O DIA acompanha a situação em Quissamã A reportagem do jornal O DIA esteve na agência da Caixa em Quissamã e constatou a paralisação do atendimento presencial. A situação pode mudar conforme o andamento das negociações nacionais e as decisões tomadas pelos trabalhadores nas próximas assembleias.
A equipe de reportagem também acompanha os reflexos da greve nas demais cidades da região.
O O DIA tenta contato com o Sindicato dos Bancários de Macaé e Região e com a Caixa Econômica Federal para atualizar as informações sobre o funcionamento das unidades e os impactos da paralisação na região. O espaço permanece aberto para manifestações. A matéria segue em atualização.
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