Fernanda vive dos doces há cerca de 10 anos - Estúdio Grato Fotografia / Divulgação
Fernanda vive dos doces há cerca de 10 anosEstúdio Grato Fotografia / Divulgação
Por RAI AQUINO
Rio - Foi vendo a mãe fazer bolos na infância que Fernanda Cruz teve o primeiro contato com o universo dos doces. Hoje, aos 33 anos, a cria do Morro do Guarabu, na Ilha do Governador, tem o seu próprio negócio à base de muito açúcar. Com um ateliê próprio no bairro da Zona Norte do Rio, a empreendedora ganha a vida com um cardápio que vai de pirulito a bolo com modelagem em 3D.
"Minha mãe era empregada doméstica e nas horas vagas era boleira. Ela vendia bolo para uma monte de gente, eu ficava apaixonada e queria ver, mas ela não deixava. Por ela não deixar, fiquei curiosa e acho que tomei gosto", relembra a microempresária.
Publicidade
Com a veia de empreendedorismo na família, Fernanda não se lembra, mas já ouviu de muitos vizinhos que quando era criança colocava uma barraquinha de bolos que ela mesmo fazia na porta de casa. Hoje, o pequeno negócio foi muito além com o ateliê que abriu há um ano.
Publicidade
"Eu também ofereço cursos de várias coisas, confeitaria para iniciantes, tudo sobre chocolate... agora no Natal, teve alguns cursos de panteone e chocotone. São cursos 'faça e venda', para dar a possibilidade da pessoa sair daqui pronta e fazer alguma coisa em casa", detalha.
VIRALIZANDO EM SAMPA
Publicidade
A entrada de vez no universo dos doces começou para Fernanda há cerca de 10 anos quando ela se viu obrigada a largar o emprego de atendente para cuidar do filho mais novo que tem Síndrome de Asperger, um transtorno de desenvolvimento que afeta a capacidade de se socializar e de se comunicar. Além disso, o caçula de dois filhos ainda vivia com problemas respiratórios.
"Em casa, decidi me dedicar às encomendas e fazer bolos, doces, buffet, tudo para festa. No início foi muito difícil porque não tinha experiência com nada, mas consegui crescer no mercado da Ilha. Fazia uma propaganda diferenciada. Naquela época, não era como agora que tudo é o celular, mas sempre botei foto da minha produção na Internet, o pessoal começou a curtir e fiquei bem conhecida", conta.
Publicidade
No meio do caminho, Fernanda chegou a abrir uma pequena casa de festas, mas o projeto não deu muito certo. Mas ela não desistiu de ter o seu próprio negócio e foi se aperfeiçoando na área.
Publicidade
"Em 2019, fui para São Paulo fazer um curso. Não tinha condição nenhuma, mas fui. Depois disso, deu um 'boom'. Eu já era conhecida na Ilha, mas fiquei conhecida em vários lugares", narra, lembrando do inusitado episódio, que contou na época ao MEIA HORA, de ter viralizado na Internet ao receber ajuda de um motorista de aplicativo na volta ao Rio.
RECORDE EM PLENA PANDEMIA
Publicidade
Com a pandemia, a empreendedora viu seu volume de pedidos despencar. Mas ela conseguiu inovar e manter uma ponta de esperança no meio de tantas notícias ruins, também para quem é dono do próprio negócio.
"Teve um dia que tive 18 cancelamentos de encomendas. Foi desesperador. Fiquei fechada durante 45 dias, mas vim no ateliê, peguei batedeira, tudo o que eu podia, levei para minha casa e fiquei fazendo delivery de casa, para não poder sair. Vendia rosquinha, sonho gourmet... foi o que me salvou", diz, aliviada.
Publicidade
Foi nessa época que, mesmo durante a queda nas vendas, Fernanda conseguiu bater seu próprio recorde, vendendo 100 ovos de Páscoa. Ela também se surpreendeu com um pedido de 40 caixas de rosquinhas.
PUXANDO OUTRAS
Publicidade
Hoje, apesar da pandemia, a empreendedora se diz totalmente realizada. Além dos pedidos que saem nesta época por causa das festas de fim de ano, ela comemora os cursos do seu ateliê serem um sucesso, com fila de espera e tudo.
"Para o Natal, lancei cinco turmas e todas ficaram lotadas. Foi assustador. Até hoje tem gente perguntando, mas já estamos trabalhando de olho na Páscoa", avisa.
Publicidade
Além dos cursos, a moradora da Ilha ainda ajuda outras microempresárias em um grupo de WhatsApp, tirando dúvidas e dando dicas de forma gratuita. Enquanto isso, ela aguarda o fim da pandemia para poder viajar para Portugal e a Irlanda, de onde recebeu convites para dar aula. Tudo isso, enquanto seu grande sonho não chega.
"O meu sonho é poder abrir uma confeitaria na Ilha, para que a pessoa entre e se sinta em uma lugar especial", projeta. Está no caminho certo, Fernanda!