Marcinho (C) passa pelo carro no pátio da 42ª DP: ex-jogador do Botafogo alegou não ter prestado socorro por temer linchamento - Estefan Radovicz
Marcinho (C) passa pelo carro no pátio da 42ª DP: ex-jogador do Botafogo alegou não ter prestado socorro por temer linchamentoEstefan Radovicz
Por O Dia
Rio – O veículo dirigido pelo jogador Marcinho, que atropelou e matou um casal de professores, na noite do dia 30 de dezembro, estava entre 86km/h e 110km/h. A informação consta no laudo da Polícia Civil, que O Dia teve acesso. Vale lembrar que a velocidade máxima permitida na Avenida Lúcio Costa, local do acidente, é de 70km/h.
"Utilizando o Modelo de Happer, com base na distância de projeção do pedestre, a velocidade do veículo objeto do exame, varia entre 86 Km/h e 110 Km/h", diz um trecho do documento.
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O laudo também apresenta respostas para questões como o fato do airbag do veículo não ter sido acionado com o impacto. 
"O veículo é munido de sensores de velocidade. Quando ocorre uma desaceleração brusca por impacto, a unidade de controle eletrônico envia um sinal elétrico para o ignitor do gerador de gás, responsável por inflar a bolsa. O acionamento depende de quanto o veículo desacelera no impacto, e não da deformação. Como o corpo humano não possui massa suficiente capaz de desacelerar bruscamente o veículo, com o atropelamento, o dispositivo de airbag não é acionado", afirma o laudo.
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TESTEMUNHOS CONTRADITÓRIOS
Em depoimento prestado à polícia, Marcinho afirmou que "repentinamente, um casal saiu entre os veículos estacionados". E que a "puxava o homem" em direção à areia da praia. O atleta afirmou ainda que dirigia a 60 km/h e que tentou "frear e desviar" das vítimas.
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Contudo, testemunhas que presenciaram o atropelamento contam uma versão diferente da informada pelo jogador. Uma delas afirmou que o atleta estava em alta velocidade e que vinha "costurando" no trânsito, que estava "moderado" e que permitia a chegada do casal no outro lado da rua em segurança.
Uma segunda testemunha disse que o jogador estava em alta velocidade e que, após o acidente, tentou evitar a polícia. Uma terceira pessoa falou que Marcinho, ao tentar fugir do local do atropelamento, passou de novo por cima de uma das vítimas e que optou por fugir ao invés de pedir ajuda para a polícia.
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VÍDEO APÓS O ACIDENTE
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As imagens mostram o percurso percorrido pelo jogador no dia do acidente, que vitimou Alexandre Silva Lima, de 44 anos, que morreu na hora, e a mulher dele, a professora Maria Cristina José Soares, 56 anos. Ela morreu após ficar internada em estado grave durante uma semana.
O vídeo mostra Marcinho em um supermercado, onde ele fica quase meia hora. Ele deixa o estabelecimento comercial e pouco tempo depois, o jogador atropela o casal.
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Juntos há 13 anos, o casal de professores do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) tinha ido à praia jogar flores para Iemanjá na noite do dia 30 para evitar aglomerações na virada.
Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Marcinho afirmou que não estava dirigindo acima da velocidade permitida e disse que não prestou socorro às vítimas por ter medo de ser linchado. "Eu fiquei com medo de ser realmente linchado", alegou o jogador de futebol à reportagem.