Greve dos aeronautas chega ao segundo dia e afeta aeroportos de todo o paísDivisão de Operações do ICA / DECEA

Rio - Nesta terça-feira (20), a greve dos aeronautas continua pelo segundo dia seguido e afeta alguns dos principais aeroportos de todo o país. Pilotos, comissários, mecânicos, navegadores e radioperadores de voo realizam paralisações diárias entre 6h e 8h, como forma de reivindicar reajuste salarial acima da inflação e melhores condições de trabalho.

No Rio de Janeiro, durante o segundo dia de reivindicações, o Aeroporto Santos Dumont, registrou 11 atrasos e cinco cancelamentos. Já no Internacional Tom Jobim, o Galeão, não houve alterações nos horários dos voos. A informação foi confirmada pelas assessorias das duas unidades.

Fora do município carioca, a paralisação também ocorre em aeroportos das cidades de São Paulo, Guarulhos, Campinas, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza, onde os integrantes da categoria compareceram uniformizados, mas não realizaram as atividades no período determinado.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), o grupo reivindica a recomposição inflacionária dos salários e aumento real de 5%. A categoria pede também a definição de horários de folgas, proibição de alteração das escalas e cumprimento da regra de tempo mínimo em solo entre voos.

Atendendo a uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que determinou a obrigatoriedade de, pelo menos, 90% dos aeronautas trabalhando durante a paralização, o SNA afirmou que os funcionários estão seguindo uma espécie de "manual de greve".
Segundo o sindicato, a categoria mantém 100% do contingente dos tripulantes a postos, mas uma parcela deles (de 1% a 2%) realiza o protesto no período entre 6h e 8h, ocasionando os atrasos e cancelamentos.
Nenhuma viagem será cancelada, ainda que após os horários agendados pelas companhias aéreas. Todos os voos com órgãos para transplante, enfermos e vacinas a bordo não serão paralisados.

“As empresas têm obtido resultados financeiros melhores do que no período pré-pandemia, as passagens nos dois últimos anos tiveram cerca de 82% de aumento. Nós tivemos 70% de redução salarial em mais de 18 meses e, no entanto, as empresas já recuperaram seus caixas, inclusive cobrando por bagagens despachadas, e nós, mal remunerados, exaustos pelas jornadas. As empresas estão usando a gente no limite das jornadas diárias e também com a questão de treinamento, muitos on line tendo que ler uma série de manuais em dias de folga”, relatou o diretor de Assuntos Previdenciários do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Leonardo Souza.