Investigadores apontaram que grupo movimentou R$ 82 milhões em cerca de sete mesesPedro Teixeira/Agência O Dia
"Foi identificada uma conversa na qual essa receita de como se fabricava clandestinamente os anabolizantes, a utilização da substância benzoato de metila, que é uma substância utilizada em tratamento de sarna e de infestação de piolhos, gerando, portanto, risco não somente à integridade física dos consumidores, como também da própria vida de quem adquiria e fazia a utilização dessas substâncias", apontou.
Segundos os investigadores, os anabolizantes eram feitos de forma caseira e um alvo de busca e apreensão no Distrito Federal fornecia as embalagens. Nelas havia um QR Code, que leva o consumidor diretamente para a página de compras. A Polícia Civil investiga também a existência de um laboratório usado pelos bandidos, que estaria em uma área de risco, mas ainda não foi localizado.
Os delegados titular e adjunta da distrital explicaram que o esquema se trata de uma fabricação clandestina, por meio da criação de marcas irregulares, como a Next e Thunder, principalmente, e não falsificação de outros produtos. "As marcas são empresas que essa estrutura criminosa abriu e não é cópia de nenhuma outra marca. Eles se colocaram numa posição de fazer algo muito profissional, para de fato trazer uma verossimilhança", disse a delegada Iasminy Vergetti.
"É um produto feito de forma clandestina, não há falsificação, há uma produção. Eles compram os insumos e, chegando, eles fazem a mistura, o que eles vulgarmente tratavam como "cozinhar o suco", que significa fazer o anabolizante. Então, não é falsificado, é produzido de forma clandestina, com toda aparência de um laboratório constituído legalmente, pode ver que a qualidade do material chama atenção e possibilita enganar o usuário. Não é uma cópia, nem uma falsificação, é uma produção clandestina caseira", apontou o delegado Luiz Henrique Marques.
A subcoordenadora do Gaeco, Gabriela Aguilar, no entanto, destacou que apesar da quadrilha ter criado marcas, elas não podem ser tratadas como legais, já que não têm registro e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as embalagens não contém requisitos obrigatórios, como CNPJ e composição.
"Esses anabolizantes eram feitos de forma caseira, sem nenhuma fiscalização. As matérias-primas eram adquiridas também de forma clandestina, ou seja, essas substâncias consumidas de forma endógena, traziam sérios danos à saúde e à vida daquele consumidor final", continuou Vergetti.
A operação pretendia cumprir 15 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo. Os agentes estiveram em endereços em Irajá, Vicente de Carvalho, Guadalupe, Méier e Olaria, na Zona Norte, em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana, e no Distrito Federal. Entre os alvos, 14 foram presos e uma pessoa detida em flagrante, com armas e drogas. Com um deles, foram encontrados mais de 2 mil ampolas de anabolizante produzido pelo grupo.
Entre os presos, está o chefe da quadrilha, Miguel Barbosa de Souza Costa Júnior, conhecido como Boss, em um imóvel de alto padrão, em São Gonçalo. Imagens da TV Globo registraram placas com frases ameaçadoras na residência do criminoso, como "Propriedade particular. Invasores serão alvejados. Sobreviventes serão alvejados novamente" e "Atenção. Da cerca pra dentro agimos igual ao STF. Acusamos, julgamos e executamos a pena!".
As investigações descobriram que os anabolizantes eram vendidos em sites e nas redes sociais. Apesar dos preços variarem de acordo com os componentes, os produtos eram comercializados abaixo do preço de mercado. A Polícia Civil identificou que para maximizar as vendas, o grupo também patrocinava grandes eventos de fisiculturismo e atletas profissionais, além de pagar influenciadores digitais para alavancar as vendas, que chegavam a receber mais de R$ 10 mil mensais para promoção da marca.
"Agora, a gente tem que voltar essa investigação, para entender essa dinâmica da divulgação dessa marca, pelos atletas e fisiculturistas influenciadores que têm uma grande gama de seguidores nas redes sociais e que divulgam essa marca. Inclusive, eles recebem para divulgar essas marcas e cumprem metas, esses criminosos estabeleciam metas para esses atletas angariar seguidores e retorno de compra", destacou Vergetti. A expectativa é analisar de forma detalhada a atuação dos investigados.
Também foram identificados diversos operadores financeiros, que lavavam a entrada e saída de quantias milionárias para dificultar a ação da polícia. A segunda etapa das investigações ainda vai apurar como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro das vendas ilegais.














Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.