Antonio José Campos Moreira tomou posse em solenidade no MPRJDivulgação

Rio - O novo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, tomou posse nesta sexta-feira (17), em uma solenidade no Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça, na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O governador Cláudio Castro e o prefeito Eduardo Paes participaram da cerimônia, em que Moreira destacou como prioridade o combate ao crime organizado.

Em seu discurso, o novo procurador-geral apontou o compromisso do Ministério Público para a segurança fluminense e afirmou que o Rio de Janeiro não pode ser "loteado por facções". Ao longo dos últimos dois anos, regiões das zonas Norte e Oeste da capital, bem como da Baixada Fluminense, vivem uma rotina de violência, com constantes tiroteios e invasões de traficantes e milicianos de grupos rivais. 
A guerra entre os criminosos ocorre pela expansão territorial e controle de comunidades, visando o aumento dos pontos de tráfico de drogas e exploração de serviços ilegais. Além disso, o estado tem diversas áreas conflagradas com roubos de veículos e cargas que financiam as atividades ilícitas das facções, seus líderes e membros. 
"O Ministério Público tem um papel fundamental nesse aspecto, papel de contribuir, eu não diria para a solução do problema, mas para que os níveis de criminalidade sejam reduzidos a toleráveis, que possam ser aceitáveis. O que não se pode aceitar é uma cidade ou estado loteado por facções", declarou Campos Moreira.
Atuação contra jogo do bicho e 'Liga da Justiça'

Antonio José Campos Moreira foi nomeado pelo governador Cláudio Castro, no último dia 2, para suceder Luciano Mattos e vai exercer o mandato no biênio 2025/2026. Com 583 votos (62,75%), o procurador foi o candidato mais votado na eleição realizada no dia 2 de dezembro do ano passado. Ele ingressou no MPRJ em 1987 e era titular da 1ª Procuradoria de Justiça junto à 2ª Câmara Criminal do TJRJ. 
Em sua trajetória, Antonio José atuou nos processos que resultaram na condenação da cúpula do jogo do bicho; com estouro da fortaleza de Castor de Andrade e apreensão de livros de registros de pagamento de propina a políticos, policiais, juízes e promotor; das chacinas da Candelária e de Vigário Geral; além do caso Daniela Perez, todos nos anos 1990.
O novo procurador também atuou na condução da investigação e processo que resultaram na primeira condenação por formação de milícia dos irmãos Natalino Guimarães e Jerominho, deputado e vereador, chefes da milícia "Liga da Justiça", no início dos anos 2000, entre outros processos relevantes.
Ele está vinculado ao 1º Grupo de Câmaras Criminais e já ocupou os cargos de subprocurador-geral de Justiça, assessor-chefe da Assessoria de Assuntos Institucionais, assessor-chefe da Assessoria de Atribuição Originária Criminal, e coordenador da primeira formação do grupo das Centrais de Inquérito (1995/1996), além de chefe de Gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça. É professor emérito da Fundação Escola Superior do Ministério Público e professor conferencista da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro.