O Galeto Diplomata ficava na Avenida Graça AranhaFred Vidal / Agência O Dia
"O movimento caiu muito. Muitos prédios fecharam, muita gente que foi para home office, empresas que foram para outros locais, e aqui ficou deserto. Esse nosso espaço é muito funcionário público. Ficamos muito dependentes disso. Como o movimento caiu bastante, não tem como manter a casa", afirma o dono do estabelecimento, que preferiu não se identificar, em entrevista ao DIA.
"Hoje, o movimento no Centro do Rio é principalmente nas terças e quintas. Às segundas e sextas, quase ninguém vem para cá. Para você manter uma casa com esse pouco tempo para se trabalhar, fica difícil, não consegue, não tem condições", lamenta.
O espaço ainda chegou a adotar o serviço de delivery. No entanto, a iniciativa não foi suficiente para conter a redução de clientes que frequentavam o local, muitos deles em busca das refeições, das laranjadas e dos famosos sanduíches de filé à milanesa, apesar dos visíveis sinais de decadência dos últimos meses. "O nosso maior fluxo de entregas era no quarteirão mesmo, nas repartições públicas aqui pelo Centro, onde houve o esvaziamento", afirma o empresário, que encerrou as atividades perto do fim de 2024.
Responsável por parte da revitalização do Largo da Prainha, na Saúde, o empresário Raphael Vidal, conta que frequentava o restaurante no café e no almoço. "O Galeto era um criador de clássicos: café com biscoito palmier feito na hora, a laranjada com canoa e ovo na camisinha, o carioquinha, que era um bife com fritas e ovo, o pinga no branco, quando pedíamos arroz com feijão, fora o tradicional meio galeto com arroz de brócolis e coradas. Tudo que saía daquele imenso balcão entrava pra nossa memória", destaca.
Vidal ressalta a importância histórica do restaurante e destaca a necessidade de estabelecimentos como este serem preservados. "O Galeto Diplomata é notável, um clássico do fim dos anos 1970, com azulejos, balcão e 'bunda de fora' preservados. Um patrimônio que conta a história da gastronomia carioca. Deveríamos compreender que o Rio de Janeiro pode retirar uma das flechas de seu peito com o turismo, principalmente o gastronômico e histórico. E isso passa por termos uma força tarefa público-privada que consiga colaborar pela autossustentabilidade destes locais como se fossem pontos turísticos, o que de fato, são", analisa.
Marcelo de Barros, dono do canal do YouTube 'Andando Comigo', dedicado a cobrir restaurantes icônicos e presentes na memória afetiva carioca, diz que o Diplomata não soube se atualizar: "Muitos locais tradicionais perderam a mão, e não se adaptaram às novidades tecnológicas, se mantendo de forma analógica. Não investem em redes sociais, não inventam cardápios."
Ele também atribui o fechamento à redução pela "falta de público e diminuição drástica de empregos na região". "O Centro do Rio perde muito da sua cultura gastronômica com o fechamento desta casa tradicional para a cidade", diz.



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