Rio - Uma operação para prender um traficante do Espírito Santo no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, teve intenso confronto entre policiais civis e criminosos na manhã desta sexta-feira (21). Segundo relatos de uma moradora, uma bala perdida atingiu a parede da sua casa. Próximo do local do disparo, estava a roupa de uniforme de uma criança.
"A roupinha da minha filha separada no sofá, por pouco não atingiu minha televisão. Meu Deus! Misericórdia!", disse.
Com intenso tiroteio na Vila do João, uma moradora da Maré gravou o furo de uma bala de fuzil na parede de sua casa. A cena é tão forte, que o buraco causado pelo projétil acertou onde fica o uniforme de sua filha, ou seja, na parte da casa onde a mãe prepara a filha para ir… pic.twitter.com/GeDqc8vQaF
— CONEXÃO RIO EM GUERRA (Oficial) (@ConexaoGuerra) February 21, 2025
De acordo com a Polícia Civil do Rio, o Centro de Operações Especiais (Core) trabalhou em apoio aos agentes do ES. Durante a ação, as equipes foram atacadas e houve confronto. O alvo da operação não foi localizado.
Outra operação
No dia 29 de janeiro, a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio, em parceria com agentes do Espírito Santo, realizaram uma outra operação conjunta no Complexo da Maré para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP). Ao todo, 10 pessoas foram presas, sendo sete no Rio e três no Espírito Santo, e 17 contas bancárias foram bloqueadas. Além disso, houve mais de 30 barricadas retiradas e 20 automóveis, entre carros e motos, recuperados.
Na ocasião, a Avenida Brasil e a Linha Vermelha foram interditadas nos dois sentidos, por volta das 4h30, na altura da Fiocruz, em Manguinhos. Às 5h, as pistas já haviam sido liberadas.
A ação, denominada "Conexão Perdida", mirava traficantes do Espírito Santo que utilizam a cidade do Rio como base estratégica. De acordo com investigações, o grupo extorquia funcionários de empresas provedoras de internet, água e gás, que só podiam atuar nas áreas controladas pela facção mediante o pagamento de mensalidades que chegavam a R$10 mil.
Além disso, para gerenciar e ocultar os valores ilícitos, os criminosos possuíam diversas contas bancárias, incluindo as de uma casa lotérica e de um "banco paralelo" – instituição financeira irregular que operava dentro do Complexo da Maré, oferecendo empréstimos para os moradores da comunidade.]
Entre os presos, está uma mulher apontada como uma das responsáveis por lavar o dinheiro da organização. Em apenas cinco meses, a investigada movimentou R$ 27 milhões por meio de uma empresa de fachada.
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