Ronny Pessanha de Oliveira foi encontrado na Muzema, na Zona OesteReprodução
"Ficou destacado que essa empresa não funcionava, tendo em vista que não tem nenhum funcionário cadastrado, qualquer rede social, qualquer nota fiscal de prestação de serviço, além de ser sediada na própria residência do alvo", disse o delegado Jefferson Ferreira, titular da Delegacia de Roubos e Furtos, em entrevista coletiva na Cidade da Polícia, na tarde desta segunda (24).
De acordo com a investigação, em apenas duas semanas de janeiro de 2024, foram registrados aproximadamente R$ 350 mil em depósitos. No mesmo endereço, Ronny também mantinha uma associação de moradores, que, segundo as investigações, era usada para a lavagem de dinheiro.
"Ou seja, ele tinha duas pessoas jurídicas de fachada registradas na sua própria residência. Esses valores ilícitos eram adquiridos através da exploração daquele território, que anteriormente era associado à milícia e agora ao tráfico de drogas. Para fins de se manter naquele território, ele prestava um apoio não só financeiro para lavagem de dinheiro como um operacional treinando os traficantes para guerrear na disputa de território", explicou Ferreira.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 3 milhões movimentados pelo ex-PM, além da apreensão de seus veículos de luxo e o bloqueio de quase R$ 2 milhões vinculados à sua sócia e outros envolvidos. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, anotações e documentos que confirmam a cobrança de "taxas de condomínio" impostas pelo investigado a moradores da Zona Oeste.
Mortes na Muzema
A operação realizada nesta segunda-feira (24) teve como um dos principais objetivos conter o avanço da facção Comando Vermelho na Zona Oeste do Rio. Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, Ronny é suspeito de envolvimento em dois homicídios na comunidade da Muzema.
"Na região da Muzema, ele começou a expulsar moradores e explorar os imóveis. Inclusive, há suspeitas de que ele teria matado ou participado da morte de duas pessoas responsáveis por condomínios da Muzema", disse.
Além disso, durante as investigações, os agentes descobriram áudios nos quais o ex-PM se gabava de que a polícia não conseguia remover barricadas erguidas pelo tráfico em uma operação na Penha. "Durante o monitoramento, ele conversando com a liderança da facção e se vangloriando do treinamento que estava dando aos traficantes contra as forças de segurança de onde ele veio", comentou.
Entenda o caso
O ex-policial do Bope é apontado como responsável pelo treinamento de traficantes do Comando Vermelho (CV) e foi preso durante uma operação das polícias Civil e Militar, na Muzema, na Zona Oeste. Contra ele foi cumprido um mandado de prisão temporária.
Segundo as investigações, Ronny Pessanha de Oliveira, conhecido como Caveira, é peça-chave na logística da facção, com atuação direta em aliança com lideranças do Complexo da Penha, na Zona Norte. O homem também é investigado pelo crime de lavagem de dinheiro, realizada por meio de uma empresa de vigilância patrimonial utilizada como fachada para movimentações financeiras ilícitas.
Além do envolvimento no tráfico de drogas, a Civil informou que o ex-PM é acusado de controlar, de forma violenta, diversos empreendimentos imobiliários em comunidades como a Muzema, Tijuquinha, Morro do Banco e Sítio do Pai João, usando armas pesadas para expulsar moradores e tomar posse de imóveis.
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