Antiga Estação da Leopoldina vai abrigar Cidade do Samba 2 e empreendimentos habitacionaisReginaldo Pimenta/Agência O Dia
Sem pagamento, obras da Leopoldina são paralisadas; prefeito cita 'histórico de acidentes'
Suspensão de repasse ocorreu para apurar descumprimento de leis trabalhistas. Empresa nega haver denúncias
Rio - As obras de revitalização da Estação da Leopoldina foram paralisadas por falta de pagamentos à empresa responsável pelo serviço. A primeira etapa da restauração teve início há pouco menos de um ano e a entrega está prevista para o segundo semestre de 2026. A reforma do prédio histórico, na Avenida Francisco Bicalho, na Região Central, acontece após o terreno ser repassado à Prefeituro do Rio pelo Governo Federal.
Em uma publicação nas redes sociais, o prefeito do Rio afirmou que os pagamentos foram suspensos após receberem denúncia de que a Concrejato não estava seguindo as regras da leis trabalhista e colocando trabalhadores em risco. No texto, Eduardo Paes disse que a administração municipal vai fazer uma apuração e lembrou do histórico de acidente envolvendo a empresa.
"A empresa Concrejato/Concremat tem um histórico de graves acidentes em suas obras, com destaque para o desabamento da Ciclovia da Avenida Niemeyer, que levou à morte de duas pessoas (...) Para apuração mais detalhada, suspendemos os pagamentos a empresa. Ou a Concrejato/Concremat passa a cumprir as leis e respeita a vida ou as obras continuarão com outra empresa!", declarou o prefeito.
A Prefeitura do Rio não informou o valor que deixou de ser repassado à empresa e, em nota, informou que a restauração "segue como projeto prioritário", destacando que na última segunda-feira (9), assinou com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contrato para a reestruturação do projeto de revitalização do terreno da antiga estação.
Procurada pelo DIA, a Concrejato esclareceu que a paralisação da obra "ocorreu de forma negociada com a Prefeitura e por conta da falta de pagamentos, que ocorre desde janeiro". A empresa pontuou ainda que "não existem denúncias de falta de segurança feita por funcionários, assim como não há pendências trabalhistas".
Sobre o "histórico de graves acidentes" citado pelo prefeito, a Concrejato declarou que "a empresa e seus executivos foram absolvidos por unanimidade das acusações relacionadas ao caso da ciclovia". A nota diz ainda que a empresa "acredita que o investimento na recuperação da Leopoldina assim como na região do entorno da Estação é o caminho certo para recuperar uma área nobre da cidade, que hoje é vítima do abandono e da violência. E trabalha para continuar colaborando com essa recuperação".
Revitalização inclui Cidade do Samba 2
Em dezembro de 2023, foi anunciado o projeto para a revitalização do imóvel, construído em 1926 e tombado pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Estação Barão de Mauá, em homenagem ao homem que construiu a primeira estrado de ferro no país, funcionou até meados de 2002, ligando o Rio a Petrópolis, na Região Serrana, e aos estados de São Paulo e Minas Gerais. No início de 2024, o Governo Federal e a prefeitura fecharam um acordo para o município assumir a gestão do prédio, assinado em maio do mesmo ano.
Em julho do ano passado, teve início a primeira etapa das obras de restauro no terreno da estação, de cerca de 125 mil metros quadrados. No local, serão erguidos a Fábrica do Samba da Série Ouro, empreendimentos habitacionais do Minha Casa Minha Vida, um Centro de Convenções e equipamentos sociais. Em agosto do ano passado, a pedra fundamental da Cidade do Samba 2 foi lançada, marcando o início da revitalização do local, que vai abrigar os barracões das escolas da Série Ouro.

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