Rio - O Mirante e a trilha da Praia do Sossego, em Niterói, na Região Metropolitana, receberão o nome da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que morreu no Monte Rinjani, na Indonésia. O anúncio foi feito pelo prefeito Rodrigo Neves nesta quinta-feira (26), que destacou a medida como uma homenagem à sua memória e ao amor que ela tinha pela cidade.
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A irmã da niteroiense, Mariana Marins, agradeceu o acolhimento e destacou a importância do gesto simbólico. "A Praia do Sossego era um dos lugares preferidos da minha irmã. Foi ela quem me apresentou àquele paraíso e vivemos momentos especiais ali, junto com amigas. Em meio a tanta dor e a tantas notícias falsas que circularam nos últimos dias, encontrar o apoio da Prefeitura de Niterói e do prefeito, que acreditou na nossa palavra desde o início, foi fundamental", declarou Mariana.
Muito emocionada, a mãe de Juliana também expressou gratidão. "O que estamos vivendo é devastador, mas nos conforta saber que Juliana vai voltar para casa. Esse apoio tem feito toda a diferença", disse Estela Marins.
O prefeito Rodrigo Neves frisou que a cidade de Niterói está de luto e que a homenagem será uma forma de eternizar o legado de Juliana em um local que ela amava. "Juliana era uma jovem cheia de vida, apaixonada pelo mar e pela natureza da nossa cidade. Vamos seguir dando todo o apoio necessário para a família nesse momento difícil. A decisão de batizar o mirante e a trilha com seu nome é uma forma de manter viva sua memória em um lugar que ela tanto amava", afirmou.
A cerimônia de nomeação do Mirante e da trilha será organizada nos próximos dias, em diálogo com a família.
Juliana foi encontrada sem vida nesta terça-feira (24) após cair em uma trilha no Monte Rinjani. Foram quatro dias de buscas pela publicitária. Segundo as autoridades locais, o corpo foi localizado a cerca de 600m de profundidade. Porém, por conta do clima e do terreno difícil, as equipes de resgate precisaram montar um acampamento na região, próximo à vítima, para esperar o amanhecer e finalizar o trabalho.
O corpo da brasileira foi resgatado na manhã do dia seguinte, no horário local. Para a família, houve negligência por parte da equipe de resgate, que não chegou até a vitima dentro do prazo estimado de 7h. De acordo com a Brigada Móvel da Polícia de NTB e a Equipe Conjunta de Busca e Salvamento (SAR) da região, os socorristas tiveram dificuldades com o terreno íngreme e vertical de Rinjani, além do tempo chuvoso e forte neblina.
Para especialistas em operações de salvamento em regiões remotas ou de alto risco ouvidos pela reportagem de O DIA, houve lentidão na resposta das autoridades locais, o que pode ter comprometido as chances de um socorro mais eficaz.
O resgate foi realizado pelo montanhista voluntário Agam Rinjani, primeiro a chegar onde o corpo estava. Ele contou que passou a noite à beira de um penhasco, a cerca de 590 metros do cume da montanha e, para evitar uma queda, usou âncoras de segurança para não deslizar por mais 300 metros. Devido à forte neblina e às condições climáticas adversas, ele e outro alpinista, identificado como Tyo, fizeram um acampamento vertical no meio da encosta. Ao amanhecer, Agam carregou sozinho a maca com o corpo da brasileira até o topo do monte.
A jovem fazia um "mochilão" pela Ásia há cinco meses. Além da Indonésia, ela já havia conhecido as Filipinas, a Tailândia - onde viveu cinco dias em um retiro de yoga e outros cinco em um monastério budista - e o Vietnã, definido por ela como o "preferido."
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