Mercadante (E) e Eduardo Paes em evento nesta quinta (28), na sede da instituição financeira, no RioÉrica Martin/Agência O Dia
Rio recebe presidente do BNDES em apresentação de plano econômico anti-tarifaço
Eduardo Paes e outros prefeitos avaliaram a apresentação das estratégias como positiva
Rio – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sediou nesta quinta-feira (28), no Centro do Rio, um encontro com o presidente da instituição, Aloizio Mercadante. O evento apresentou detalhes do Plano Brasil Soberano, que prevê R$ 40 bilhões em créditos para exportadores, em resposta ao aumento de até 50% nas tarifas imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Também participaram o prefeito Eduardo Paes (PSD) e gestores de outras cidades brasileiras afetadas pela medida.
Mercadante destacou que empresas exportadoras afetadas poderão ter acesso a linhas de crédito de diferentes perfis para capital de giro, seja para quitar dívidas ou investir em adaptação da produção, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados. O prazo de carência varia entre um e dois anos, enquanto o de pagamento ao BNDES fica entre cinco e sete anos.
Sobre os juros, para micro, pequenas e médias empresas com prejuízo igual ou superior a 5% do seu faturamento, a taxa será de 7,19%, enquanto para as grandes, o definido foi 10%. Já para companhias exportadoras que apresentarem prejuízo abaixo dos 5% e exportem produtos atingidos com tarifas menores que 50%, os encargos estarão em aproximadamente 14%.
"São taxas de juros muito favoráveis, exatamente para amortecer o impacto", observou Mercadante, destacando qual determinação as empresas precisam obedecer para ter direito ao benefício: "A contrapartida é manter o emprego. Já mostramos que isso é possível porque no Rio Grande do Sul, no ano passado, a taxa de desemprego no fim do ano era de 4,1%. E a economia lá, com toda aquela inundação, cresceu 4,9%. Foi o BNDES que colocou R$ 29 bilhões lá", afirmou.
O processo para colocar o Plano Brasil Soberano em prática, segundo Mercadante, já começou a partir de reuniões com representantes de centenas de bancos. A expectativa agora é que até 8 de setembro o BNDES receba relatórios da Receita Federal e do Ministérios da Indústria e do Comércio com números relacionados às exportações da indústria brasileira. A partir daí, esses dados serão repassados a essa rede bancária, que poderá providenciar as linhas de crédito de acordo com cada perfil.
“Nossa orientação para você, empresário que está nesta situação, de prejuízo em função do tarifaço, é que procure o gerente do seu banco, com quem você já trabalha. Ele conhece sua empresa, tem todos os dados. A empresa já está habilitada. Assim, a rede vai poder entrar em contato com o BNDES, e vamos saber quanto determinada empresa perdeu e liberaremos a linha de crédito. Trabalhar com os bancos agiliza o processo. Mas quem não tiver essa possibilidade, pode vir direto ao BNDES”.
Sobre o prazo para que as primeiras linhas de crédito comecem a ser liberadas, Mercadante afirmou: “Acreditamos que a partir de 15 de setembro”.
Conversa agrada prefeitos
Presente como presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FPN), Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio, considerou o detalhamento do plano proveitoso: “O que tivemos aqui foi um conjunto de informações muito acima das nossas expectativas. A verdade é que planejávamos falar muito mais, forçar muito mais, pressionar muito mais. Mas as medidas concretas, já detalhadas pelo presidente Mercadante e pela sua equipe, sem dúvida nenhuma, nos trazem conforto. Não só aos prefeitos aqui presentes, mas de todo o Brasil”.
Um dos prefeitos a falar no encontro foi Simão Durando (União Brasil), de Petrolina (PE), representando municípios que exportam majoritariamente produtos perecíveis. Ele ressaltou que a perspectiva no Vale do São Francisco, região produtora de frutas tropicais onde fica a cidade que administra, é de uma exportação de 2,5 mil containers de manga e outros 700 de uva para os Estados Unidos, somente entre agosto e outubro.
Durando externou preocupação com uma situação que considera urgente, mas também mostrou alívio em meio ao diálogo com o BNDES: “A nossa aflição é porque nossos produtos são perecíveis. Um terço da população de Petrolina vive diretamente da fruticultura. E quando se soma o Vale do São Francisco, mais de um milhão de pessoas depende dessa produção e exportação para os Estados Unidos. Então saímos satisfeitos com o que foi apresentado aqui, com propostas financeiras, para uma dilatação dos prazos junto aos bancos e um acesso a créditos para pequenos e médios exportados”.
Já Alexandre Ferreira (MDB), prefeito de Franca (SP), discursou sobre o drama de exportadores de manufaturados, que apresentam valor agregado, caso da cidade à qual está à frente: “Hoje, recebemos respostas ótimas, para facilitar a vida e diminuir os danos causados por esse tarifaço. Que possamos buscar créditos, por meio do BNDES, mas, principalmente, para que tenhamos prazo para pagar essas dívidas e a possibilidade de buscar novos mercados, novas frentes para negociar nossos produtos, que são dos melhores”.
*Colaboração de Érica Martin





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