Deputado Otoni de Paula criticou megaoperação no RJReprodução

Rio - O deputado federal e pastor Otoni de Paula (MDB) afirmou, nesta quarta-feira (30), que entre os 121 mortos na megaoperação nos complexos da Penha e Alemão, na Zona Norte, estão quatro filhos de membros de sua igreja. Segundo ele, os jovens que não tinham envolvimento com o crime organizado.

"Aqui tem está falando é pastor e não é pastor progressista não, só de gente de filho de gente de igreja eu sei que morreram quatro ontem [terça], meninos que nunca portaram fuzis, mas estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos. Sabe quem é que vai saber se são bandidos ou se não são? Ninguém, e sabe por que não? Porque preto, correndo em dia de operação na favela é bandido. Preto com chinelo havaiana sem camisa pode ser trabalhador, correu é bandido", disse, durante discurso na tribuna da Câmara.

Emocionado, o deputado fez duras críticas e citou racismo presente no país. "É fácil, senhoras e senhores, para quem está no asfalto e não conhece a realidade da favela. É fácil subir nesta tribuna e dizer: ‘Que bom, matou’. É porque o filho de vocês não está lá dentro, como meu filho está o tempo todo dentro de uma comunidade e meu pânico é que ele é preto. Ontem [terça], eu tive que dizer: ‘Vai pra casa, que roupa você está vestindo?’. Porque meu filho no Rio não anda de chinelo, eu ensino a ele que ele tem que andar de roupa bonita porque é preto e só depois que derem um tiro dele é que vão saber que é filho de um preto deputado", finalizou.
Otoni é pastor na igreja do Ministério Missão de Vida, fundada em 1998.
Moradores resgataram corpos da mata
Segundo o balanço das forças de segurança, 58 pessoas morreram nesta terça-feira (28), dia da operação. Entre elas estavam 54 suspeitos e quatro policiais.
Nesta quarta (29), 63 corpos já foram encontrados em uma área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde aconteceram os principais confrontos entre as forças de segurança e traficantes. Moradores levaram todos os cadáveres até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha.
O número de óbitos oficiais ainda pode crescer, pois as buscas continuam na região.
Além dos mortos, o governo divulgou que 113 pessoas foram presas, sendo 33 de outros estados, e 10 adolescentes apreendidos. As equipes apreenderam 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver, 14 artefatos explosivos, centenas de cartuchos e toneladas de drogas.