Ex-secretário Alessandro Carracena e o assessor de TH Joias, Luiz Eduardo CunhaReprodução

Rio - A investigação da Polícia Federal acerca do envolvimento de políticos e organizações criminosas apontou a proximidade entre o ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor Alessandro Carracena, o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, e as principais facções do Rio. Em uma das situações analisadas pelos investigadores, o assessor do ex-parlamentar, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como Dudu, recorre a Carracena ao ser detido com dinheiro em espécie que seria entregue ao traficante Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, fundador da Amigos dos Amigos (ADA).
O caso aconteceu em abril de 2024, na Avenida Brasil, na altura de Guadalupe, quando Dudu foi encaminhado à 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) para prestar esclarecimentos sobre os R$ 175 mil em espécie que ele carregava em seu carro. As investigações apontam que, antes de ser detido, o ex-assessor parlamentar havia se encontrado com um criminoso da ADA na comunidade da Vila Vintém. A Polícia Federal apurou que, no mesmo dia, Luiz Eduardo ligou para Alessandro Carracena, sócio-fundador de um escritório de advocacia, para perguntar se poderia alegar que havia recebido o dinheiro do TH Joias para fins de campanha.
O ex-secretário, no entanto, aconselhou que não seria uma boa justificativa e sugeriu que Dudu elaborasse outro fundamento para defesa com a ajuda do deputado estadual. Dois dias depois, o ex-assessor parlamentar enviou para Carracena um contrato de compra e venda de um carro, buscando orientação. Segundo a PF, o político opinou sobre o documento, explicou correções que precisariam ser feitas - como a inclusão do valor para abatimento de despesas - e instruiu o comparsa a imprimir o contrato.
Por fim, Luiz Eduardo alegou para a Polícia Civil que o dinheiro era referente à venda de um carro para o sócio de uma empresa especializada na venda de produtos e equipamentos para consultórios odontológicos. A versão foi corroborada por um empresário em depoimento. 
Ainda durante a conversa, o ex-assessor expressou preocupação pela restituição do dinheiro apreendido, afirmando que precisaria pagar o "velho". As investigações da PF indicam que esse destinatário da quantia é Celsinho da Vila Vintém. Carracena chega a aconselhar que TH Joias conversasse com a liderança da ADA para "acertar as coisas", pois "não era bom ficar mal com um sujeito desse tipo".
Luiz Eduardo, TH Joias e Alessandro Carracena foram presos durante a Operação Zargun, realizada em setembro pela PF e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Com a conclusão das investigações, eles e outras 15 pessoas foram indiciados por crimes como corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e violação de sigilo profissional.
O DIA não obteve contato com a defesa dos indiciados até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Operação Zargun
De acordo com a Polícia Federal, as investigações identificaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança do CV no Complexo do Alemão, o traficante Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e agentes políticos e públicos. A corporação informou que a organização infiltrava-se na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais do Comando Vermelho.