Em outubro, o Diário Oficial publicou o tombamento provisório do DOPs Agência Brasil

Rio - O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta quarta-feira (26), o tombamento do edifício da Antiga Repartição Central de Polícia, que abrigou o antigo Dops, no Centro do Rio. A decisão reconhece o imóvel por seus valores histórico e de belas artes, como marco das lutas sociais e políticas em defesa da democracia brasileira, além de exemplar da arquitetura eclética no Brasil.  
Com a aprovação, o edifício será inscrito nos Livros do Tombo Histórico e das Belas Artes. No dia 30 de outubro, o instituto já havia publicado no Diário Oficial da União o tombamento provisório do edifício. Segundo o presidente do Iphan, Leandro Grass, o reconhecimento do prédio do antigo Dops como patrimônio cultural preserva a memória dos anos de ditadura militar, marcados por censura e violações de direitos.
"Este ato homenageia aqueles que foram torturados, perseguidos, mortos ou desaparecidos por lutarem pela liberdade. Ao torná-lo patrimônio, contribuímos para que as gerações presentes e futuras não repitam os erros desse período", destacou o presidente. 
Inaugurado em novembro de 1910, o prédio foi projetado pelo arquiteto Heitor de Mello, um dos principais representantes do ecletismo no Rio de Janeiro, e construído no contexto das grandes transformações urbanas promovidas pelo prefeito Pereira Passos. Conhecido à época como Palácio da Polícia, o prédio representava a modernização do Estado Republicano e a busca por uma nova imagem para as instituições públicas, com base em paradigmas jurídicos e científicos que enfatizavam a investigação e o uso da tecnologia.
Ao longo do século 20, o edifício abrigou diferentes órgãos policiais, entre eles o Departamento de Ordem Política e Social do Rio de Janeiro (Dops-RJ), criado durante o Estado Novo e mantido durante a ditadura militar, que permaneceu em funcionamento até 1975.
Nesse período, o local se transformou em um símbolo da repressão política, cenário de prisões, interrogatórios e torturas que marcaram profundamente a história do país. Por essa trajetória, o imóvel é reconhecido como um lugar de memória e testemunho histórico das violações de direitos humanos, integrando o conjunto de bens destinados a preservar e revelar as marcas das lutas em defesa da democracia e da liberdade, como forma de justiça e reparação às vítimas e seus familiares.
O edifício também abrigou o Acervo Nosso Sagrado, coleção composta por objetos de religiões de matriz africana, tombada pelo Iphan. Esses itens foram confiscados em ações policiais contra terreiros de candomblé e umbanda no Rio de Janeiro, entre 1890 e 1946.
Além de sua importância histórica, o edifício se destaca pelo valor arquitetônico e artístico. O imóvel é considerada um dos principais exemplos da arquitetura eclética carioca com influência francesa, refletindo o requinte da Belle Époque e o espírito de modernização que transformou o Rio de Janeiro no início do século 20.
Para a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Wanzeller, a atuação do Instituto neste processo demonstra a força das políticas de preservação quando voltadas à memória social. "Tombar o antigo Dops significa reconhecer oficialmente sua relevância na história brasileira", completou ela.

A expectativa é que o tombamento estimule a criação de um centro de memória no local, valorizando a importância simbólica do edifício e seu papel como referência fundamental na história social e política do País.