Em 2024, 107 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado do RioTânia Rêgo / Agência Brasil
"Os dados apresentados são um alerta e, ao mesmo tempo, um compromisso público: não recuaremos no enfrentamento à violência contra a mulher. Seguiremos avançando de forma coordenada, rigorosa e permanente, para enfrentar as diferentes formas de violências. Cada número representa uma vida que precisa ser protegida, e é por isso que estamos ampliando políticas integradas, fortalecendo a rede de atendimento e investindo na prevenção e no acolhimento da mulher em sua integralidade. Seguiremos atuando com rigor, transparência e responsabilidade para garantir que todas as mulheres do nosso estado possam viver com dignidade e segurança", afirmou o governador Cláudio Castro.
O Dossiê mostrou também que quase metade das 154 mil mulheres que registraram denúncias de violência em delegacias do estado foram vitimadas pelo companheiro ou ex. Metade das agressões ocorreram dentro de uma residência (50,6%).
"Completar 20 anos de Dossiê Mulher é reafirmar o compromisso do Governo do Estado com a proteção e acolhimento das mulheres fluminenses. Ao longo de duas décadas, os dados que divulgamos, de forma inovadora e pioneira, reforçam que políticas públicas integradas e baseadas em evidências são essenciais para prevenir violências, acolher as vítimas e responsabilizar os autores. O Dossiê não é apenas um relatório, ele é uma ferramenta estratégica que orienta ações e salva vidas", explicou a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz.
Feminicídio
Em 2024, 107 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado do Rio. Deste número, 71 eram mães: 33 tinham filhos menores de idade e 13 delas morreram na presença de seus filhos.
Nesta última edição, o ISP realizou uma análise inédita do histórico de antecedentes criminais dos autores dos assassinatos. Quase 60% dos agressores possuíam algum tipo de registro criminal pregresso e, em média, cada autor havia respondido por quatro crimes antes do feminicídio. Além disso, em 22,9% dos casos, os assassinos haviam consumido álcool e drogas.
A violência sexual é uma das violações mais brutais praticadas contra mulheres e meninas, sendo a maioria delas relacionadas à violação do corpo. O estupro teve o maior número de vítimas: 5.013. Em seguida, há a importunação sexual (2.441) e, em terceiro, o assédio sexual (390).
No índice de estupro, 67,7% das vítimas denunciaram o crime em até um mês. A maior parte dos casos aconteceu na Região Metropolitana, durante a madrugada, e mais da metade das mulheres eram negras.
Cerca de 22 mil mulheres relataram que foram vítimas de violências simultâneas - a maior combinação foi entre as violências psicológica e moral, seguida pela física e psicológica. Outro dado constatado indica que 14,5% de idosas foram agredidas pelos seus próprios filhos.
"Enfrentar a violência contra a mulher exige ação contínua, baseada em evidências e com políticas articuladas e é exatamente esse caminho que a Secretaria da Mulher está construindo. Investir em prevenção, educação e redes de cuidado funciona e é assim, com rigor técnico e compromisso permanente, que seguimos trabalhando para que nenhuma mulher viva com medo", disse a secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar.





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