Rodrigo Bacellar (União) é investigado pela Polícia Federal suspeito de vazar informações sigilosasDivulgação

Rio - A defesa do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), afastado do cargo de presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), afirma que o parlamentar não jantou com o desembargador Macário Judice Neto na véspera da prisão do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.
Segundo o advogado de Bacellar, o desembargador "teve o nome mencionado em vão" durante uma conversa entre seu cliente e TH Joias. O parlamentar é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de vazamento de informações sigilosas de uma operação para o ex-colega de Casa. Já TH Joias é investigado por suposto envolvimento com o Comando Vermelho (CV). 

Assim como Bacellar, que cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, o magistrado também foi preso pela PF no último dia 16, sob suspeita de ter vazado informações das investigações para o então presidente da Alerj durante o suposto encontro em um jantar.

Por sua vez, a defesa de Macário Judice Neto nega que ele tenha repassado qualquer informação a Bacellar e afirma que, no dia do suposto jantar, o desembargador estava em casa arrumando as malas para uma viagem ao Chile, marcada para o dia seguinte. Ainda segundo o documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar estaria em um encontro extraconjugal e teria usado o nome do magistrado como álibi.

A defesa também sustenta que a Polícia Federal não apresentou fotos do suposto jantar e nem dados de geolocalização dos telefones dos envolvidos.
Entenda o caso 
A primeira fase da Operação Unha e Carne ocorreu no início de dezembro e terminou na prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar. De acordo com as investigações, ele é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, deflagrada contra uma quadrilha especializada no tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro.
No pedido de prisão, a PF apresentou provas que apontam uma relação estreita entre Bacellar e TH Joias. Em trocas de mensagens, TH se refere ao deputado como '01' e inclui o telefone dele em uma lista de "comunicação urgente".
Já o desembargador Júdice Neto é relator do processo contra TH Joias. A PF suspeita que ele repassou as informações a Bacellar, com quem tinha "estreita relação".