O autor Manoel CarlosReprodução/Instagram

O escritor e roteirista Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. O autor, conhecido por retratar a classe média carioca em novelas de sucesso, estava afastado da televisão desde 2014 e vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos anos por causa do Mal de Parkinson. Ele estava internado no hospital Copacabana d'Or, na Zona Sul.
Nascido em São Paulo em 14 de março de 1933, Manoel Carlos Gonçalves de Almeida iniciou a carreira artística nos anos 1950 como ator, roteirista e diretor na TV Tupi, participando de mais de 450 teleteatros no Grande Teatro Tupi. Passou por outras emissoras, como Excelsior e Record, antes de se consolidar na Rede Globo, onde assinou algumas das novelas mais populares da televisão brasileira.
Maneco, como era chamado por colegas, ficou marcado por sua habilidade em criar tramas centradas na vida cotidiana da classe média, principalmente no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, cenário recorrente em suas histórias. Seu trabalho também ficou conhecido pela presença constante de protagonistas chamadas Helena, que se tornaram uma marca registrada de sua obra.
Entre seus maiores sucessos estão novelas como Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003) e Páginas da Vida (2006). Ele também foi o autor de minisséries de destaque, como Presença de Anita (2001) e Maysa: Quando Fala o Coração (2009). Sua última novela, Em Família, foi ao ar em 2014.
Além da carreira como autor de novelas, Manoel Carlos teve participação importante em programas de variedades e humor. Trabalhou com nomes como Hebe Camargo e Chico Anysio e foi responsável por roteiros e direções no Fantástico e no TV Mulher.
Nos últimos anos, o autor enfrentava complicações decorrentes do Parkinson, diagnosticada em 2019. Em dezembro de 2024, ele passou por uma cirurgia e, desde então, vinha sendo acompanhado por uma equipe médica em casa. Em julho do ano passado, a filha Júlia Almeida divulgou uma nota informando sobre a piora no estado de saúde do pai, destacando dificuldades motoras e cognitivas e a necessidade de cuidados constantes.
Manoel Carlos foi casado três vezes e teve cinco filhos. Três deles faleceram antes do autor: Ricardo, em 1988; Manoel Carlos Jr., em 2012; e Pedro, em 2014. Ele deixa a mulher, Elisabety Gonçalves, e duas filhas: Júlia Almeida, atriz, e Maria Carolina, roteirista.