Espaço Multivioleta se consolidou como uma referência no atendimento e no acolhimento a mulheresMauricio Bazílio/ divulgação
Espaço do Hospital da Mulher acolhe vítimas de violência
O Espaço Multivioleta, do Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart (HMulher), em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, se consolidou como uma referência no atendimento e no acolhimento a mulheres vítimas de violência na região. Dados mostram que de agosto de 2024 até novembro deste ano, foram feitos 579 atendimentos a mulheres que sofreram violência. Somente em 2025 (janeiro a novembro), 442 atendimentos a vítimas de violência física, psicológica, moral, patrimonial e sexual foram realizados. O serviço foi inaugurado em julho de 2024.
A coordenadora do Serviço de Psicologia do HMulher, Maria Luiza Corrêa Cordeiro, explica que as vítimas de gênero nem sempre têm consciência de que estão inseridas num contexto de violência. Neste cenário, o papel do profissional de saúde é fundamental na identificação dos casos e no encaminhamento destas mulheres para a rede de proteção.
O Espaço Multivioleta oferece serviços, como consulta com ginecologista e atendimento psicossocial. Em casos de abuso sexual, ao chegar no HMulher, o acolhimento é feito por equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que trabalham em conjunto para evitar que as vítimas tenham que repetir as histórias várias vezes e revivam o trauma sofrido. A unidade também realiza exames do protocolo de atendimento à violência sexual e faz medicação para prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis e pílula do dia seguinte.
“Em muitos casos, o primeiro lugar onde as mulheres conseguem falar sobre o abuso sofrido é no hospital, enquanto recebem atendimento, por isso é importante que o profissional de saúde esteja atento para identificar possíveis situações de violência, que não tenham sido declaradas no primeiro momento.Isso pode ser determinante na interrupção deste ciclo na vida da mulher”, afirma Maria Luiza.
A psicóloga chama atenção para a notificação das situações de violência no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os profissionais de saúde têm o dever legal e ético de notificar os casos de violência, sob pena de responder por omissão. A notificação e o encaminhamento ajudam a prevenir a escalada da violência e a garantir o sigilo das informações e a proteção da vítima e de sua família. Para que isso ocorra, deixam claro que a conversa é confidencial e que as informações são protegidas, a menos que seja necessário quebrá-lo para proteger a vida da vítima.
A especialista ressalta, no entanto, que a mulher tem autonomia de decisão e recebe toda a informação e apoio necessários para que possa tomar uma decisão. O atendimento em saúde não está atrelado ao registro de ocorrência em delegacia.
“A assistência integral a saúde da mulher em situação de violência envolve a disposição do profissional em se comprometer com uma ética do cuidado que realmente passe ao largo do preconceito e da discriminação, sobretudo de classe, raça e sexualidade”, explica Maria Luiza.
A iniciativa faz parte do programa do governo federal, Antes que Aconteça, que oferece rede de apoio e atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica. O programa é coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) em parceria com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública que, por meio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, encaminha também os casos para a unidade.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.