Decisão aconteceu na sede do Sindicato dos Rodoviários, no Centro do RioBustamante / Divulgação Sindicato dos Rodoviários

Rio - Após a manifestação para cobrar pagamentos de benefícios atrasados, trabalhadores das viações Real e Vila Isabel decidiram, em reunião realizada na tarde desta quinta-feira (15), entrar com uma ação rescisória coletiva na Justiça do Trabalho e com uma rescisão indireta contra as empresas, com objetivo de ter todos os auxílios pagos.
O encontro aconteceu na sede do Sindicato dos Rodoviários, no Centro do Rio. A entidade ficará responsável pela abertura das ações. Sebastião José, presidente da instituição, destacou que a rescisão indireta consiste em o trabalhador entrar com uma ação de justa causa contra a empresa. 
"Se o empregado comete alguma falha contra o empregador, esse tem o direito de dispensá-lo por justa causa. E hoje as Viações Real e Vila Isabel se enquadram na lei, pois não pagam em dia os benefícios de seus funcionários e ainda não acatam nenhuma decisão judicial", disse.
Sebastião esclareceu ainda que o sindicato entende que a relação de trabalho é entre os funcionários e as empresas, mas que o repasse de verbas públicas e subsídios que ambas recebem faz com que a Prefeitura do Rio, nesse caso, possa exigir uma relação respeitosa e de dignidade com os trabalhadores. Para José, se isso não ocorrer, a prefeitura pode intervir junto aos consórcios e reter o repasse para regularizar a situação com os rodoviários.
"A empresa está em recuperação judicial e, por isso, não poderia demitir ninguém sem a devida indenização. Para se ter uma ideia, a Viação Real colocou mais de 60 trabalhadores demitidos em casa, aguardando uma ligação para receberem a verba rescisória. Os trabalhadores que ainda continuam na empresa estão vendo que ela não irá cumprir nada. Já tentamos a mediação diretamente com a empresa e com o Ministério Público do Trabalho (MPT), sem sucesso, o que gera cada vez mais insegurança na categoria além de uma enorme solidariedade entre os que estão trabalhando e os que estão em casa aguardando para serem pagos. Lamentavelmente a perspectiva que nós tínhamos junto à Justiça do Trabalho não aconteceu", afirmou.
O presidente do sindicato disse ainda que esses profissionais, que possuem décadas de serviços prestados, estão passando por situações constrangedoras com seus familiares por falta de recursos. O ato da manhã desta quinta quis chamar a atenção da opinião pública para reivindicar benefícios atrasados, como: férias, 13º salário, ticket alimentação e verba rescisória.
"Nosso serviço é de utilidade pública já que transportamos diariamente milhares de usuários da cidade. Nós vamos cobrar maior respeito e dignidade seja da prefeitura, do Rio Ônibus e dos consórcios para que esses rodoviários recebam tudo que é devido. Essa é a condição do sindicato e disso não abrimos mão", contou.
Nesta quinta, o Rio Ônibus disse que a Real Auto Ônibus está em diálogo com o Sindicato dos Rodoviários para resolução dos problemas.
A Prefeitura do Rio esclareceu que vem cumprindo rigorosamente sua parte, realizando de forma regular e quinzenal o pagamento dos subsídios aos consórcios operadores. "A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) monitora continuamente a operação dos ônibus por meio do sistema de GPS e aplica o corte do subsídio diário sempre que uma linha deixa de cumprir a quilometragem determinada em contrato", diz.
A SMTR frisou que seguirá atuando em conjunto com o Consórcio Intersul para avaliar e implementar novas medidas de contingência, "sempre com o objetivo de garantir a continuidade e a qualidade do serviço prestado aos usuários do transporte público."
A reportagem tenta contato com as empresas de ônibus. O espaço está aberto para manifestação.
Impacto na circulação
O ato realizado nesta quinta, na frente da garagem das empresas, impactou no funcionamento do transporte público municipal. Para atender a demanda dos passageiros, a SMTR criou novas linhas com objetivo de ampliar a cobertura em corredores onde houve dificuldades operacionais. Foram elas: LECD 127 (157) (Gávea-PUC x Santo Cristo), LECD 128 (Terminal Gentileza x Leblon) e LECD 129 (Terminal Alvorada x Central do Brasil).

Além disso, a linha 109 teve seu itinerário estendido do Santo Cristo até o Terminal Gentileza, enquanto a linha 157 passou a operar com itinerário ampliado do Castelo até o Santo Cristo, passando pela Central do Brasil.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, o serviço está sendo normalizado gradativamente.