Rio - Com a intensa programação dos desfiles de megablocos no Centro, a tradicional Feira de Antiguidades da Praça XV só poderá voltar a ser realizada no dia 28 de fevereiro. A decisão da prefeitura gerou insatisfação entre os expositores, que têm no evento sua principal fonte de renda. Tombada por decreto municipal, a feira — considerada o maior do gênero na América Latina — acontece há 40 anos aos sábados, das 6h às 15h, ao lado do Paço Imperial, ocupando uma área que vai da Rua Primeiro de Março até quase a estação das barcas.
Segundo a expositora Nathalia Costa, de 37 anos, moradora de São Gonçalo, houve falta de diálogo prévio e negociação. "A gente é sempre informado em cima da hora que não vai ter a feira. Não existe um comunicado antecipado", pontua.
Enquanto aguardam o retorno, alguns vendedores tentam se reorganizar, buscando alternativas de renda, como vendas pela internet ou trabalhos temporários. Ainda assim, o clima é de incerteza. "É a minha principal renda, onde eu consigo fazer minha clientela. No momento, o Instagram e um site têm sido a minha vitrine, mas não me dão o retorno que lá me dá", resume Bruna Goelzer, dona de um dos brechós do espaço.
Diante da situação, que vem se repetindo nos últimos anos, nos meses de janeiro e fevereiro, uma outra expositora chega a fazer uma sugestão para 2027. "Os blocos maiores podiam ser lá no Aterro do Flamengo, mas esses menores podiam acontecer junto com a feira. Quando dá 11h o bloco acaba e a feira continua", pondera Jayrla Rodrigues.
Em uma tentativa de minimizar os danos causados pela suspensão, cogitou-se uma negociação com a Subprefeitura do Centro, que concordou com a transferência temporária para outro espaço, no entanto, a organização da feira se posicionou de forma contrária, já que não seria viável pela proximidade da data. No último sábado (24), o evento já não aconteceu.
"A gente já demora muito tempo para construir a nossa clientela, que não vai só pelo nosso produto, ela vai pelo passeio pelo Centro histórico. Não é só vender um objeto, entende? É mais do que isso. Levar a Feira de Antiguidades para um outro lugar não tem sentido. A feira tem que ser ali, naquele lugar", defende Jayrla Rodrigues.
Procurada pela reportagem, a Subprefeitura do Centro se manifestou, através de uma nota. “A interrupção da Feira da Praça XV nos fins de semana de megablocos foi necessária para garantir a segurança de feirantes e frequentadores, uma vez que esses eventos atraem entre 500 mil e 1,5 milhão de pessoas. Localizada em uma área de intenso fluxo de foliões, a feira estava em risco, especialmente considerando os acessos e os pontos de bloqueio da Polícia Militar. Medidas semelhantes já foram adotadas em anos anteriores durante o Carnaval".
* Reportagem do estagiário Guilherme Domingues, sob supervisão de Raphael Perucci
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