Imagens mostram escombros após desabamento de prédio na favela do metrôÉrica Martin/Agência O DIA
A adolescente de 14 anos precisou ser encaminhada ao Hospital Municipal Salgado Filho, mas já recebeu alta. Muito abalada, ela acompanhou o resgate da mãe. Já a mais nova, de 7 anos, ficou cerca de cinco horas sob os escombros e, em seguida, foi levada ao Hospital Souza Aguiar, onde permanece internada com quadro de saúde estável.
Criança de 7 anos, soterrada em desabamento de casas no Maracanã, pediu ajuda durante o trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros. A mãe dela, Michele Martins, 40, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
— Jornal O Dia (@jornalodia) February 2, 2026
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Segundo um dos vizinhos, o produtor e ajudante comunitário Tácito Simões, 30 anos, Michele e filha chegaram a brincar na chuva horas antes da tragédia.
"Ela era ótima, uma mãezona, cuidava das filhas, fazia tudo de bom. Brincava com todo mundo, fazia todo mundo sorrir. Ontem, quando começou o temporal, ela veio aqui na porta de casa e eu ainda brinquei com ela, perguntei se ela está tomando banho de chuva para descarregar. E aí a filha também ficou brincando ali tomando banho de chuva, eu até falei pra sair da chuva, porque essa chuva era torrencial, estava perigosa. Foi só questão de uma despedida, na minha porta ainda", lamentou.
Tácio revelou ainda os momentos que antecederam o desabamento. "Assim que a chuva passou, cerca de uma hora depois, fui para a parte de trás, onde eu morava. Cheguei em casa, tomei um banho e me deitei. Cerca de meia hora depois, ouvi um estalo. Corri para a parte da frente para ver minha mãe, para saber se tinha acontecido alguma coisa. Quando cheguei, vi a parede cedendo, se abrindo de fora a fora. Ela começou a estalar, e eu falei: 'vamos sair, porque isso aqui vai desabar'", contou.
O morador conta que conseguiu chamar o marido de Michele, mas que não deu tempo de tirar todos de casa.
"Eu consegui chamar o vizinho daqui de cima, que perdeu a esposa. Ele veio comigo, eu mostrei o que estava acontecendo e a gente voltou correndo para tentar tirar todo mundo. Quando a gente gritou pela menina, uma das crianças que ficou presa, ela, em vez de vir na nossa direção, correu para dentro. No momento em que ela correu, tudo veio abaixo. Foi tudo muito rápido, questão de segundos. Não tinha muita coisa que a gente pudesse fazer, sabe?", afirmou.
A casa em que o produtor morava com o marido também desabou. Assim como a residência da mãe dele.
Tácio também contou a sensação de insegurança no local quando chovia. "Toda vez era essa tensão, esse medo. A gente já vinha buscando até a alternativa para tentar sair daqui, para pagar um aluguel, mais aluguel aqui é R$3 mil, para quem ganha um salário mínimo, como é que paga? Como é que come? Como é que vive? A gente não encontrava solução. Ela era uma boa vizinha, era perfeita, pena que precisou morrer para a gente ser enxergado", relatou.
Equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social estão no local prestando atendimento às famílias, oferecendo acolhimento, orientação e encaminhamentos necessários. A Subprefeitura da Grande Tijuca, Guarda Municipal e CET-Rio apoiam a operação. Além disso, duas faixas da Avenida Rei Pelé, no sentido Méier, seguem interditadas.
"Nesse momento, a Secretaria de Conservação está fazendo escoramento e ajudando a retirada dos pertences dos moradores para na sequência fazer a demolição desses três imóveis da frente. Com o desabamento lá nos fundos, todos os escombros acabaram abalando as estruturas desses três. Por isso, por recomendação, a gente não garante mais a integridade desses imóveis. A Assistência Social já fez o acolhimento às famílias e agora é a fase de escoramento, retirada de materiais e de demolição", frisou.
Rodrigo explicou também que o local possui muito acúmulo de lixos. "A gente não sabe se a construção foi legalmente feita por um profissional habilitado, engenheiro ou arquiteto, que garantisse a integridade. A gente tem, claramente, uma falta de manutenção, com árvores crescendo nas fachadas e um acúmulo de lixo entre dois estabelecimentos. Justamente, o imóvel que veio a desabar, tinha um acúmulo de lixo com a lateral", relatou.
Com o fim das obras por volta de 1980, os alojamentos não foram destruídos e os funcionários continuaram no local, aproveitando a moradia.
Em 2014, ano em que o Brasil sediou a Copa do Mundo de Futebol, a comunidade passou por remoções que geraram protestos dos moradores da região. Além disso, diversas demolições já foram realizadas no local. No entanto, a região acabava sendo reocupada novamente.
Ao longo dos anos, algumas famílias removidas foram alocadas no condomínio Mangueira I, Mangueira II e em Triagem, também na Zona Norte.
A prefeitura já ofereceu ainda aluguel social no valor de R$ 400 reais para os moradores que ainda não foram inseridos no programa Minha Casa, Minha Vida. O valor é contestado






















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