Rio - "Foi um livramento, nós nascemos de novo. Até brincamos que temos uma nova data de nascimento. Poderíamos nem estar aqui para contar a história." O desabafo emocionante é de Mariane Cavalcante, de 31 anos, moradora do prédio que desabou e deixou quatro pessoas feridas no Engenho Novo, na Zona Norte, na tarde deste domingo (8). Segundo a assistente administrativo, o incidente aconteceu no momento de uma confraternização em seu imóvel. De acordo com o secretário Municipal de Conservação e Serviços Públicos, Diego Vaz, o espaço será totalmente demolido.
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Mariane contou que fazia uma celebração com o marido e amigos, na garagem de seu apartamento, quando ouviu dois estalos. Rapidamente, uma das casas do conjunto habitacional, de três pavimentos e três blocos, desabou.
"Foi tudo muito rápido. Uma mistura de medo e impotência, pois estávamos com receio de ser soterrados. Graças a Deus, não fomos. Nós vimos a casa desabar na nossa frente. Escutamos um estalo, mas estava chovendo. Achamos que podia ser um trovão. Em nenhum momento, a gente cogitou que a casa poderia estar caindo. Foi um livramento. Nós nascemos de novo. Poderíamos ter nos machucado muito feio, pois estávamos na garagem. A gente não ia ter nem chance de sobrevivência", destacou a moradora.
A assistente administrativo revelou que já tinha percebido algumas infiltrações no bloco do seu imóvel. Nos outros mais atingidos, havia grande quantidade de rachaduras. Ela acompanhou o trabalho de retirada dos escombros na manhã desta segunda-feira (9).
"Teve obra recentemente, fizeram uma maquiagem para conseguir vender. Pegou todo mundo desprevenido, mas já estava comprometido todo o resto. A nossa casa é uma das últimas. Temos que torcer para que nada aconteça durante a retirada dos escombros para a gente retirar algo e recomeçar de alguma forma", disse.
O autônomo João Paulo Rodrigues, de 29 anos, marido de Mariane, lembrou que precisou escapar do local pelos escombros do desabamento. Mesmo ferido por estilhaços, ele não precisou de socorro e atendimento em hospital.
"Foi tudo muito impactante e rápido. Nós tivemos que correr para dentro de casa, mas não sabíamos como estava a estrutura. Poderia desabar a qualquer momento. Foi aquele susto. Nós saímos e tinha muita gente ferida. Ajudamos alguns moradores a sair dos escombros, teve um rapaz que ficou preso e só os bombeiros conseguiram tirar. Tudo muito triste. Nossa casa não veio abaixo, mas o meu carro foi totalmente destruído, assim como a moto", contou.
Também autônomo, Pedro Souto, de 49 anos, explicou que soube do desabamento por uma ex-moradora. Ele e o filho não estavam em casa no momento do incidente. Quando chegou no local, começou a ajudar quem foi atingido.
"Os próprios moradores auxiliaram as pessoas a sair. Eu ajudei a tirar os animais dos escombros. Só um gato que conseguiu sobreviver. A minha casa foi a primeira a vir ao chão. Infelizmente, todas as minhas coisas estavam dentro da casa, inclusive o meu carro que estava na frente. Tudo para o chão", afirmou.
Impacto em imóvel vizinho
A designer Danúbia da Silva, de 37 anos, vizinha do prédio, contou que os problemas estruturais do imóvel afetaram a sua casa, que precisou ser reformada. Apesar das intervenções em sua residência, ela denunciou que não houve obras no prédio, o que pode ter contribuído com o desabamento.
"Quando o prédio começou a ser construído, afetou a estrutura da minha casa. Nós reforçamos, contudo, no prédio, ninguém foi mexer. Esse prédio foi construído em cima de uma laje, nós entramos embaixo e vimos que os pilares estavam partidos no meio. Não tinha esses problemas antes em casa, só quando o prédio foi construído", destacou.
O espaço foi interditado nesta segunda-feira (9). Equipes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e da Secretaria Municipal de Conservação e Serviço Público atuaram para retirar escombros.
Diego Vaz, secretário de Conservação, revelou que a Defesa Civil decidiu pela interdição total e demolição do imóvel. "Vamos começar com a limpeza e com a demolição manual para depois entrar com a demolição com maquinário. Nossa equipe de articulação social vai ajudar os moradores a retirar os seus pertences para que possam ainda guardar o que tinham do imóvel, mas a estrutura está completamente danificada. Por isso, a Defesa Civil decidiu pela interdição", destacou.
Relembre o caso
O incidente aconteceu na Rua Visconde de Itabaiana, por volta das 17h40. Cerca de 40 bombeiros atuaram na ocorrência. Quatro vítimas foram resgatadas com vida e levadas para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, também na Zona Norte. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), todas já receberam alta.
Uma câmera de segurança gravou o momento do desabamento. Logo depois do incidente, vizinhos iniciaram um trabalho para ajudar as vítimas. Assista:
Câmera flagra desabamento de prédio no Engenho Novo; quatro pessoas ficaram feridas
Três cachorros, sendo um da raça Buldogue e outros dois Yorkshire, morreram no desabamento, assim como um gato. Um segundo felino foi encontrado com vida.
Militares encerraram os trabalhos de busca na manhã desta segunda-feira (9), após cerca de 12 horas de atuação contínua. Com a conclusão do trabalho, o local foi entregue à Defesa Civil Municipal para uma avaliação de danos estruturais.
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