Rio - A Polícia Civil realiza, nesta terça-feira (24), mais uma fase da "Operação Espoliador", com o objetivo de cumprir centenas de mandados de prisão contra envolvidos em crimes contra o patrimônio, como roubo, latrocínio e receptação. Até esta noite, 616 alvos foram presos em todo o estado do Rio.
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A ação tem como foco desarticular toda a cadeia criminosa, alcançando líderes de quadrilhas, executores, colaboradores e receptadores. Investigações apontam ainda que parte dos roubos é incentivada por traficantes que vendem drogas nas comunidades e exploram o território por meio de outras atividades ilícitas.
Em coletiva de imprensa, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, revelou que a operação conta com a participação de todas as delegacias do estado, incluindo os departamentos de homicídios. Para o delegado, o número de prisões é bastante expressivo, uma vez que tira das ruas o "pior criminoso existe".
"A pior espécie de criminoso é o ladrão! Ele pega uma arma, vai em direção a vítima, constrange com violência e ameaça, colocando as vezes uma faca, ou uma arma, na cabeça da vítima para subtrair os pertences, que muita das vezes ela ainda está pagando a prestação, é um celular, um carro, um relógio, ou uma a moto, enfim, seja lá o que for, e a qualquer rompante, ele tira a vida dessa vítima. É um criminoso da pior espécie, eu tenho casos na minha família e sei o que é você ter um familiar que foi morto por latrocínio, e por isso que eu falo que é um trabalho muito importante da Polícia Civil", frisou.
O secretário também criticou a legislação e destacou que a maioria dos presos é reincidente. Segundo ele, dos 305 (saldo obtido até o fim da manhã) detidos na operação, cerca de 66% já tinham passagens pela polícia.
"Até quando a gente vai ficar com esse retrabalho? Até quando a polícia vai ficar prendendo e esses marginais ficando pouco tempo e saindo da prisão? (...) É importante que haja uma mudança profunda na legislação penal e processual penal brasileira, porque ninguém aguenta mais. A população não aguenta mais ser vítima desses ladrões", disse.
Curi ressaltou ainda que o crime de receptação, embora considerado sem violência ou grave ameaça, sustenta toda a cadeia criminosa. Ele explicou que, como a pena mínima é inferior a quatro anos, muitos presos em flagrante acabam liberados após audiências de custódia.
"É o receptador que estimula o ladrão a colocar a arma na cabeça da vítima, do trabalhador, e que em alguns casos acaba matando essa vítima para poder subtrair o bem dela. Então, até quando a gente vai ficar com esse retrabalho sem fim? Até quando a gente vai ficar patinando? Até quando a gente vai ficar sem efetividade no trabalho? Porque o trabalho da polícia é feito, não é falta de polícia, o que nós temos aqui é excesso de impunidade", afirmou.
Prisões
Entre os presos está um assaltante, apontado como integrante de um grupo envolvida em diversos assaltos a veículos no estado, principalmente em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Ele possui 11 anotações criminais e quatro mandados de prisão em aberto.
Policiais da 35ª DP (Campo Grande) também capturaram dois milicianos que atuavam em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Um deles possui 14 anotações criminais e dois mandados em aberto.
De acordo com a delegada Raissa Celes, do Departamento de Polícia da Capital, a dupla faz parte da milícia comandada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o "Juninho Varão".
"Ambos estavam na posse de arma de fogo e farta quantidade de munição, além de uma farda operacional. Eram pessoas de guerra da milícia, que faziam a expansão territorial tanto na divisa de Nova Iguaçu, quanto em Campo Grande. Então, isso corrobora o que a gente vem afirmando e provando o alto grau de reincidência de pessoas que ainda estão nas ruas praticando crimes", declarou.
Ainda segundo delegado Felipe Curi, uma das facções investigadas é responsável por cerca de 80% dos roubos de veículos e 90% dos roubos de carga na capital e na Região Metropolitana.
As equipes das delegacias vinculadas aos Departamentos-Gerais de Polícia da Capital (DGPC), da Baixada (DGPB), do Interior (DGPI), Especializada (DGPE) e de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP) seguem nas ruas para cumprir os mandados judiciais e realizar novas diligências. A operação está em andamento.
* Reportagem do estagiário Rodrigo Bresani, sob supervisão de Adriano Araújo.
* Colaboração de Ana Fernanda Freire e Érica Martin
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