Rio - A Justiça do Rio negou, nesta terça-feira (24), um recurso da defesa do ex-médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra e manteve a sua condenação, em 30 anos de prisão, por estupro de vulnerável contra duas pacientes. A pena deverá ser cumprida em regime fechado.
Os desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) decidiram, em unanimidade, manter a pena, decretada em junho de 2025, como também afirmaram que ele deve pagar, como danos morais, R$ 50 mil a cada uma das vítimas.
Em seu voto, o relator Peterson Simão manteve a sentença na íntegra, ressaltando a gravidade dos atos praticados por Giovanni.
"Este processo relata fatos criminosos notoriamente graves e repugnantes que vão além, afrontando a dignidade da pessoa humana das vítimas, ao mesmo tempo em que traumatiza a sociedade, envergonha a nobre classe médica e apavora os pacientes. É incrível, mas o Sr. Giovanni Quintella Bezerra é o responsável por tudo isso, merecendo uma reprovação bastante séria, à altura dos seus levianos atos em vista do que fez, com quem fez e da forma como fez. É um verdadeiro cenário de desumanização. A sentença resolveu com correção o conflito de interesses, não havendo necessidade de qualquer reparo", destacou.
Relembre o caso
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), no dia 10 de julho de 2022, durante duas cirurgias de parto realizadas no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Giovanni ministrou, além de anestesia, outras substâncias para sedar duas pacientes.
Dessa forma, se posicionando de forma que outros membros da equipe de cirurgia não pudessem vê-lo, ele colocou o pênis na boca das vítimas, que estavam impossibilitadas de oferecer resistência devido a sedação. Um dos abusos foi gravado por enfermeiras e técnicas de enfermagem.
No registro, a gestante estava deitada na maca, inconsciente. Enquanto a equipe médica finalizava o procedimento cirúrgico, Giovanni introduziu o pênis na boca da vítima. Ao terminar o ato, ele pegou um lençol e limpou a boca da paciente. A ação durou cerca de 10 minutos. O vídeo serviu como prova e foi encaminhado à Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti.
Após a repercussão do caso, uma outra vítima do médico compareceu à 64ª DP (São João de Meriti) para denunciar a conduta do profissional durante uma cesárea realizada no centro cirúrgico do Hospital da Mulher Heloneida Studart, uma semana antes. A mulher, junto com o marido e a mãe, reconheceram o criminoso depois da repercussão da sua prisão em flagrante nos jornais.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.