Rodrigo Bacellar foi indiciado pela PFDivulgação

Rio - Indiciado pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho, junto de TH Joias, Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), já havia esquematizado um organograma com nomes que fariam parte de seu governo. Ele era cotado para substituir o governador Cláudio Castro (PL), que deve deixar o Palácio Guanabara para concorrer ao Senado.
No caderno pessoal dele, apreendido pela PF durante buscas em endereços relacionados ao deputado estadual, Bacellar já havia montado uma lista com a composição de seu secretariado e outros cargos-chave.

Entre alguns dos nomes listados por Bacellar, estão: Douglas Ruas, para a Secretaria de Obras; Antônio Saldanha Palheiro (ministro do Superior Tribunal de Justiça) e Rodrigo Pimentel, para Segurança Pública; Anderson Silva, para Esporte. Douglas Ruas é o nome escolhido pelo Partido Liberal (PL) como pré-candidato da legenda ao governo estadual nas eleições de 2026. Atualmente, ele exerce o cargo de secretário estadual das Cidades.

Para o cargo de vice-governador, Bacellar criou uma nova lista, com os seguintes nomes: Marfan Vieira, ex-procurador de Justiça, e Rodrigo Pimentel.

Embora o registro conste no relatório apresentado pela PF, não se sabe se as pessoas listadas por Bacellar chegaram a ser convidadas ou comunicadas sobre seus possíveis cargos caso o deputado fosse eleito. A organização do organograma, em si, não configura algo ilícito.

Para a PF, a lista, além do restante dos materiais analisados, é um dos indicativos de que o maior ativo de Bacellar como líder da organização criminosa é a capacidade de interlocução e persuasão em todos os poderes do estado do Rio.

Apesar dos esforços de Bacellar para montar seu organograma, a possibilidade do deputado assumir o poder após a eventual saída de Cláudio Castro foi por água abaixo depois que ele foi preso na "Operação Unha e Carne", da Polícia Federal.

Rodrigo Bacellar deixou a prisão no dia 9 de dezembro após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou o uso de tornozeleira eletrônica e afastamento da presidência da Casa.

Ele é suspeito de participar do vazamento de informações que teria levado à obstrução da investigação da "Operação Zargun", responsável pela prisão de TH Joias.