Nova inteligência artificial da Defensoria Pública promete agilizar casos de pensão alimentíciaDivulgação / DPRJ
Defensoria Pública lança ferramentas de IA que prometem agilizar atendimento
Assistente virtual MarIA cuidará de casos de pensão alimentícia, enquanto plataforma VIA aumenta a eficiência sem substituir a atuação humana
Rio - A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) lançou, nesta sexta-feira (6), duas novas ferramentas de inteligência artificial que prometem agilizar o atendimento gratuito à população: a assistente virtual MarIA, para casos de pensão alimentícia, e a plataforma interna VIA, que pode reduzir em até cinco vezes o tempo de serviço.
O tempo de abertura de processos de pensão alimentícia, que atualmente levam em média três meses, poderá ser feito em até uma semana com a assistente MarIA. A nova inteligência artificial foi programada para casos deste tipo devido à alta demanda, já que a cada dez atendimentos para petições iniciais da DPRJ, quatro são de pensão alimentícia.
O que antes exigia ligações, filas e deslocamentos, agora poderá ser feito de forma 100% online, pelo WhatsApp ou pelo chat do site da Defensoria. A ferramenta chega com inovações e seguirá oferecendo os mesmos serviços que já eram disponíveis pelo telefone 129 e pelo aplicativo da DPRJ.
Com a MarIA, a elaboração da petição inicial de alimentos será feita de forma totalmente remota, ou seja, quem for usar o serviço pode informar dados, anexar documentos por foto ou PDF e gerar a petição sem sair de casa.
Após o envio dos dados, uma equipe especializada valida as informações reunidas pela assistente virtual, entra em contato com o devedor de alimentos para tentar um acordo e, caso não seja possível, o processo segue para distribuição.
“MarIA representa um passo importante no nosso compromisso permanente de facilitar o acesso à justiça. Estamos utilizando a tecnologia com responsabilidade para tornar o serviço mais rápido, simples e próximo de quem precisa” afirma o Defensor Público-Geral, Paulo Vinícius Cozzolino Abrahão.
O modelo adotado no atendimento no WhatsApp é híbrido: sempre que necessário, o usuário poderá ser encaminhado para atendimento humano. A inteligência artificial atua como triagem qualificada, sem substituir o atendimento especializado da Instituição.
Além da petição online de alimentos, a MarIA também realiza a triagem inteligente das demandas, organizando os pedidos antes de chegarem às equipes das unidades. Com isso, os casos serão direcionados corretamente desde o início, reduzindo retrabalho e agilizando o fluxo interno, o que garante menos idas e vindas e mais agilidade no atendimento dos usuários, também.
A assistente ainda faz a gestão completa de agendamentos de outros serviços da Defensoria pelo chat. O cidadão pode marcar o primeiro atendimento em qualquer área, consultar horários disponíveis, fazer agendamentos, confirmar, remarcar ou cancelar compromissos, enviar documentos e acompanhar o andamento das solicitações.
A nova assistente virtual ganhou esse nome em homenagem a Maria Nice Leite de Miranda, primeira defensora pública mulher do país.
Plataforma interna promete elevar em até 600% a produtividade
Além da MarIA, a DPRJ também lançou a VIA, uma plataforma de inteligência artificial interna desenvolvida para aumentar a eficiência do atendimento jurídico sem substituir a atuação humana. A nova tecnologia pode reduzir em até 5 vezes o tempo de atendimento, além de proporcionar um aumento médio estimado de até 600% na produtividade na elaboração de peças processuais e documentos jurídicos.
A nova plataforma permite que Defensores e Servidores tenham uma maior agilidade na elaboração de peças processuais, sempre com o controle humano sobre todas as decisões.
“Com a nova plataforma de inteligência artificial, pretendemos ampliar significativamente o alcance do atendimento, acelerar as respostas à população vulnerável e fortalecer nossa missão constitucional de garantir acesso à Justiça, sempre com supervisão humana em todas as etapas. Cada órgão da Defensoria Pública passa a contar com um novo Assessor, virtual, sempre disponível e super inteligente”, diz Paulo Vinícius Cozzolino Abrahão.
De acordo com a DPRJ, a VIA gera minutas de petições, análises e documentos a partir de comandos feitos pelos próprios Defensores Públicos. A ferramenta funciona conectada ao sistema informatizado da Defensoria, o Verde, responsável pela gestão dos casos, processos e toda a atuação institucional.
Essa integração permite acesso prático, ágil e seguro dos dados já cadastrados, leitura do histórico processual e produção de documentos alinhados às especificidades de cada situação, preservando integralmente as informações dos assistidos. Todo o conteúdo produzido passa obrigatoriamente por revisão humana antes de qualquer utilização.
O Verde, sistema interno da Defensoria, seguirá organizando órgãos de atuação, gerenciando agendamentos, integrando a instituição ao Judiciário, gerando estatísticas, automatizando tarefas e permitindo comunicação com a população atendida. Enquanto isso, a VIA atua agora como uma camada inteligente sobre essa base, otimizando processos e ampliando a capacidade técnica dos profissionais.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.