A Corregedoria da Polícia Militar prendeu os policiais nesta quinta-feira (5)Érica Martin / Arquivo O Dia

Rio - Três policiais militares foram presos, nesta quinta-feira (5), por acusação de roubo qualificado ocorrido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), Joás Ramos do Nascimento, Denis Willians Neres Alpoim e Rogério Vieira Guimarães usaram a condição funcional, armas e o fardamento para intimidar as vítimas e levar 11 celulares.
O crime ocorreu na madrugada do dia 10 de maio de 2025. Na ocasião, os agentes, que estavam em serviço no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) do Jardim Primavera, teriam participado da abordagem a um ônibus da empresa Marlu Turismo no Arco Metropolitano. O coletivo transportava mercadorias adquiridas em São Paulo por dois comerciantes.
Ainda de acordo com o MPRJ, durante a revista ao veículo, os denunciados alegaram que as mercadorias não possuíam notas fiscais físicas. Usando a profissão de policial, eles teriam intimidado as vítimas. Em seguida, subtraíram 11 celulares iPhone.
A denúncia aponta que os policiais, lotados no 15º BPM (Duque de Caxias), agiram com outras quatro pessoas ainda não identificadas e se aproveitaram da função pública para viabilizar a prática do crime.
Ação sem câmera corporal
O MPRJ destacou que Joás, Denis e Rogério, todos 3º sargento, retiraram suas câmeras corporais no momento do crime. No entanto, os registros de GPS da viatura e depoimentos das vítimas reforçam os indícios da prática do trio.
O órgão pediu à Justiça a decretação da prisão preventiva dos denunciados, justificando que há risco à ordem pública, possibilidade de intimidação de testemunhas e indícios de participação em outros roubos parecidos ocorridos na região. O juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga, da Auditoria de Justiça Militar, tornou os policiais réus por roubo qualificado e expediu mandados de prisão no último dia 2.
A Corregedoria da Polícia Militar cumpriu, nesta quinta, os mandados em diferentes endereços da Baixada. Em nota, a corporação informou que a "Operação Arco" é resultado de investigações, que iniciaram na 6ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, local de moradia das vítimas. Depois, a 8ª DPJM, unidade especializada em investigações complexas, assumiu a apuração.
De acordo com o MPRJ, outros procedimentos investigatórios também foram instaurados para apurar o uso irregular de câmeras corporais por policiais do mesmo destacamento e a possível relação dos denunciados com outro roubo no ano passado contra um ônibus de turismo da mesma linha, em Seropédica, também Baixada Fluminense.
As pessoas que estão com os celulares roubados já foram identificadas e serão chamadas para devolver o bem, sem prejuízo de investigações da prática do crime de receptação.
Em nota, o advogado do policial Rogério Viera, Felipe Simão, nega as acusações e afirma que os agentes são inocentes, sustentando que as alegações serão refutadas durante o processo. A defesa do militar criticou a decretação da prisão preventiva, classificando-a como desnecessária por se referir a fatos ocorridos em 2025, sem elementos atuais que a justifiquem. Confira a nota completa:
"Os policiais são inocentes e irão provar isso no curso do processo. Infelizmente, no RJ adotou-se a presunção de culpa em desfavor do PMERJ, contrariando as garantias individuais asseguradas na CF. A ironia disso é que o Estado que cobra do PMERJ que respeite os direitos e garantias constitucionais é o mesmo Estado que não respeita as garantias constitucionais do policial.

A acusação é séria, não temos dúvida; porém, refere-se a fatos ocorridos em 2025, sem que qualquer elemento de contemporaneidade justifique a decretação de uma prisão preventiva. Então, podemos dizer que, quando se trata do policial militar, primeiro se prende, se desmoraliza e depois se apura a verdade, quando o estrago à moral e à honra do policial já foi feito.

Vimos isso recentemente quando, após dois anos presos, policiais militares foram absolvidos no caso do menino Thiago Flausino. O crime organizado já descobriu que basta acusar o PMERJ para que o policial seja preso e, com isso, desmotivar os demais integrantes da tropa a continuarem a reprimir o crime.

Não somos contra a punição dos culpados, mas nos preocupamos quando as garantias constitucionais não são respeitadas, pois elas servem para proteger não apenas os policiais, mas todos nós. Infelizmente, no RJ parece que somente traficantes possuem garantias constitucionais."