Telhado da casa de João Batista foi atingido pelos destroços da lojaÉrica Martin / Agência O Dia
O aposentado João Batista, de 64 anos, foi um dos mais afetados: os destroços do estabelecimento caíram em cima do seu telhado e varanda. Ele explicou ao DIA que sete familiares moram nos dois andares e precisam retornar ao lar.
"A parede da minha casa é colada com a parede da loja, então não posso entrar em casa desde ontem [segunda-feira] de manhã. Quando a gente viu, já começamos a tirar as crianças, os cachorros, carros… Foi muita fumaça e acordamos com esse transtorno. Não pegamos nada da casa, nem documento. Uma parte da família está em Duque de Caxias e outra está perto, na casa da minha cunhada. Queremos nos reconstruir… Não sei se vamos ter alguma ajuda, se o rapaz tinha seguro… Na minha casa, são quatro adultos e três crianças, precisamos voltar para casa. Foi um livramento de Deus, não tem explicação", desabafou o aposentado.
Joséfa dos Santos, de 63 anos, e sua filha, Ana Cláudia dos Santos, de 39, vendem salgados e armazenam os produtos na casa da mais nova, localizada na vila. Elas comentaram que, com a interdição da residência e a falta de luz, não conseguem buscar o material e já perderam dois dias de trabalho.
"Quero tirar meu material de trabalho, mas não consigo. Vou perder tudo e temos minhas contas para pagar. Fui a última a sair, porque eu estava dormindo cansada. Quando eu saí, começou a quentura. É muita tristeza, não sei o que vou fazer. Só posso entrar na minha casa com permissão da Defesa Civil", lamentou Ana Cláudia.
"Estamos com dois 'freezers' de salgados e não podemos tirar nada. Está um problema sério, estou sem trabalhar. Não tem energia, não sei o que vou fazer. Os clientes esperando e não podemos fazer nada", acrescentou Joséfa.
Luciane Simões, de 41 anos, mora sozinha e ficou sem saber para onde iria depois que precisou sair de casa. Ela contou com a ajuda de uma vizinha, que ofereceu um quarto para que ela não ficasse na rua.
"A Defesa Civil ainda não liberou, porque ainda tem fumaça. Estou bastante nervosa, estou sem dormir e sem descansar. Uma vizinha ofereceu um quartinho e vou ficar lá para não ficar aqui na rua. Conversei com o secretário da Defesa Civil e ele disse que, assim que os Bombeiros sinalizarem que não há mais foco de incêndio, eles vão acender a luz e liberar", relatou a bacharel em Direito.
Outro estabelecimento colado na loja Motocriss é a Escola Técnica Sandra Silva, que serviu como base de apoio para a atuação dos Bombeiros. A fundadora da unidade, Sandra Silva, de 50 anos, aguarda a liberação da Defesa Civil para retomar o funcionamento.








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