Lula e Paes inauguram centro de trauma no Hospital do AndaraíÉrica Martin/Agência O DIA

Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito Eduardo Paes inaugraram, na manhã desta sexta-feira (13), o novo prédio do setor de trauma e a clínica médica do Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte. Com capacidade para realizar 300 atendimentos por dia, as novas instalações são adaptadas e equipadas para o atendimento especializado de vítimas de acidentes de trânsito, quedas, tiros, fraturas, e outros tipos de traumas.
Na sede da unidade, a cerimônia contou ainda com a presença do ministro da Saúde Alexandre Padilha, do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz e do vice-prefeito Eduardo Cavaliere. Além da primeira-dama Janja e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
As inaugurações são mais um passo no processo de reestruturação do espaço, que é o maior complexo hospitalar do estado, fruto da parceria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e do Ministério da Saúde.  O Governo do Brasil investiu R$ 607 milhões para a retomada dos serviços, qualificação da assistência e redução de filas nas unidades.
Durante o evento, o prefeito, que assumiu a administração do hospital em 2024, fez duras críticas ao período de gestão durante o governo Bolsonaro.
"Esse lugar aqui não existia, e estava tudo destruído. Estamos aqui no Complexo do Andaraí, que é um lugar de muita força (...) A cozinha do hospital estava fechada há 12 anos, porque ao invés de gastar R$ 8 milhões para fazer uma obra, preferiam gastar R$ 1 milhão por mês para o transporte das quentinhas que vinham pra cá", afirmou.
O ministro Padilha, por sua vez, reforçou a importância do prédio para o estado. "Esse hospital tem uma história muito bonita, surgiu em 1945 como Clínica São Jorge. Ele teve a primeira unidade de queimados do Brasil, inclusive, muitos ícones da medicina passaram por aqui. Muita gente dizia que esse hospital era envelhecido e não podia melhorar mais, mas ele não era envelhecido, ele era abandonado", disse.
Já Soranz acrescentou que os atendimentos poderão salvar a vida de muitos cariocas. "Vamos cuidar das pessoas nos momentos mais críticos da sua vida, aquele momento que uma hora pode decidir se você vai viver, então pra gente é muito especial estar aqui", relatou.
Ainda em meio a ceriômina, foi apresentado o serviço de prótese dentária com fluxo digital, uma estratégia que busca modernizar a reabilitação oral no Sistema Único de Saúde. Com oito conjuntos de equipamentos recebidos do Ministério da Saúde — que incluem scanners, impressoras 3D e máquinas de cura —, a SMS poderá produzir mais 150 próteses por mês. Os aparelhos contribuirão para ampliar o acesso às próteses dentárias na rede municipal de saúde, que produziu mais de 7 mil próteses em 2025, entre digitais e analógicas.
Segundo Lula, a medida faz parte do "Brasil Sorridente", que tem como objetivo levar ao povo mais humilde o direito de tratar dos dentes.
"É como se a boca não fosse uma questão de saúde. Todo o corpo humano é tratado como uma questão de saúde, mas a boca não. E eu ficava indignado porque eu andava muito pelo Brasil e a coisa mais corriqueira — por n motivos: pela qualidade da comida, pela qualidade da água, pela falta de oportunidade de aprender a tratar os dentes — a coisa que a gente mais via era menina e menino, jovens, não querendo sorrir porque tinham uma 'janela' na boca, não tinham dentes”, contou.
Homenagem 
No evento, a pesquisadora Margareth Dalcomo recebeu a Medalha Oswaldo Cruz pelas ações de conscientização da população brasileira durante a pandemia da Covid-19. A premiação é uma honraria dedicada às pessoas que contribuem para a saúde pública no país.

"Fizemos o que é nosso compromisso. Sem compromissos ideológicos. A nossa ideologia é cuidar das pessoas", declarou a pesquisadora.

A entrega também contou com a presença da ex-ministra da saúde e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade.

Entenda a estrutura
O prédio do setor de trauma tem três andares e consolida a nova emergência da unidade. Segundo a prefeitura do Rio, a mudança rompe com um recente caso de abandono, em que só a emergência estava fechada havia dez anos, com dependências totalmente danificadas, com salas do centro cirúrgico sendo usadas como depósito e uma grande quantidade de material inservível ocupando áreas assistenciais estratégicas.
A reabertura ocorreu, ainda em fevereiro de 2025, embora inicialmente em um espaço provisório. Em dezembro, foi inaugurado o Centro de Emergência Regional Andaraí (CER Andaraí), a nova emergência clínica para adultos e pediátrica. Em pouco mais de um ano, já foram realizados cerca de 44,5 mil atendimentos no setor.

Além disso, o primeiro pavimento conta com 14 leitos especializados distribuídos em boxes exclusivos para atendimento das vítimas de traumas. As ambulâncias chegarão à unidade por uma nova entrada, pela Rua Gastão Penalva, desembarcando os pacientes diretamente na área de assistência. Já aqueles que chegarem por meios próprios acessarão o hospital pelo CER Andaraí e, constatando-se caso de trauma, serão levados para os novos boxes.

No segundo pavimento fica a recepção geral, para acesso de pessoas que vão para atendimento marcado no ambulatório, para visitar pacientes internados ou em busca de alguma informação. Neste andar há também uma cantina, onde tanto usuários quanto funcionários poderão fazer lanches rápidos ou adquirir algum outro item disponível. Já o terceiro setor apresenta espaço multiuso para reuniões, cursos de capacitação continuada para os profissionais do hospital, palestras ou outras atividades do gênero.

Já a parte de clínica médica do 3° andar passou por reforma total, com melhorias estruturais e readequação de ambientes. O espaço abriga 36 leitos, dos quais 26 de enfermaria; oito de UCI (unidade de cuidados intermediários); um de UCI de isolamento e um de enfermaria de isolamento. Durante as obras, os atendimentos em clínica médica foram realocados para outros setores do hospital.
Aumento nos atendimentos
Só de 2024 para 2025, os números de internações saíram de 5.754 para 6.457; e os de cirurgias, subiram de 3.420 para 4.637, impulsionadas pela reestruturação do centro cirúrgico, que foi ampliado de apenas três para 12 salas em funcionamento.

O impacto na rede também é visível na oferta de vagas de primeira vez no SISREG, que dispararam de 576 para 4.292, e na taxa de ocupação de leitos, que passou de 84% para 96%. Em 2025, o hospital realizou 321.575 exames complementares e 59.259 exames de imagem. Hoje, a unidade conta com uma força de trabalho de 4.698 profissionais, sendo 3.941 contratados pela atual gestão municipal. Com as melhorias realizadas sob a administração da Prefeitura do Rio, a rede municipal de saúde também passará a ofertar novos serviços, como cirurgia bariátrica e a própria oncologia.
Histórico da reestruturação

Com a parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde do Rio e o Ministério da Saúde, setores já inaugurados após obras de reestruturação completa incluem o novo CER Andaraí; o restaurante hospitalar, que estava fechado havia 12 anos; e o 12º andar, que ganhou um auditório totalmente modernizado.
Foram entregues ainda a nova ortopedia, no 2° andar, e as melhorias no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), que estava funcionando precariamente e hoje é um dos melhores do país; no Centro de Terapia Intensiva (CTI), hoje com 23 leitos; e o ambulatório. O setor de oncologia também recebeu melhorias e, com a instalação do acelerador linear, passou a realizar radioterapia, ampliando a oferta do serviço para a população. Também foi instalado um novo aparelho de tomografia, duplicando a capacidade para realização do exame.

Com seis prédios, o Hospital do Andaraí é o maior complexo de assistência hospitalar do estado do Rio, ofertando 27 especialidades, que vão desde neurocirurgia, ortopedia, cirurgias vascular, geral e plástica, até especialidades como coloproctologia, mastologia, reumatologia, urologia e cirurgia bucomaxilofacial. Para ampliar o acesso ao diagnóstico, está prevista ainda a chegada de um tomógrafo especial para pacientes superobesos.

As reformas estruturais seguem em andamento, com previsão de que todo o hospital esteja reestruturado até o fim deste primeiro semestre de 2026.