Monique Medeiros no tribunal cuja sessão foi adiada foi adiado após abandono de advogados de JairinhoReginaldo Pimenta
Caso Henry Borel: Prefeitura do Rio demite Monique Medeiros
Ex-professora da rede municipal responde pelo homicídio por omissão do filho de 4 anos
Rio - A Prefeitura do Rio demitiu Monique Medeiros, ré pela morte do filho Henry Borel, do quadro de professores da rede municipal de educação. O decreto assinado pelo prefeito Eduardo Cavaliere foi publicado em edição do Diário Oficial na manhã desta quinta-feira (25). Antes dessa decisão, Monique continuava recebendo salário como servidora pública.
A situação da docente era avaliada por um processo administrativo disciplinar (PAD). Em março de 2021, época do crime, ela chegou a ser exonerada pelo Tribunal de Contas do Rio, onde trabalhava, mas não perdeu a matrícula no município por ser concursada e estar licenciada. Em 2022, ao ter a prisão preventiva revogada, a servidora foi designada para uma função administrativa no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, com objetivo de afastá-la das salas de aula.
Ainda nesta segunda-feira, o secretário Renan Ferreirinha comemorou a demissão por meio das redes sociais. "Na primeira vez que Monique foi solta, em 2023, eu afirmei que ela nunca mais ia entrar em uma sala de aula. Agora, que ela foi solta novamente nessa semana, ensejou uma nova decisão da prefeitura e também levou muitas pessoas a terem muito medo, pavor. Imagina você que tem um filho na rede, um parente na rede, ter a possibilidade de ter uma pessoa como ela estando em uma sala de aula, atuando como professora. O caso dela ficou insustentável, é totalmente o inverso do que se espera de um servidor público. É uma questão moral. A partir de agora, Monique Medeiros não tem mais nenhum vínculo com a Prefeitura do Rio", afirmou.
Monique responde por homicídio por omissão, qualificado por motivo torpe e pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima, também com aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos. Há ainda agravantes por se tratar de descendente e pelo vínculo doméstico. Ela ainda é acusada de duas torturas, igualmente agravados pelo contexto doméstico e pelo fato de a vítima ser criança, além de coação no curso do processo.
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, também é acusado pelo homicídio. Os dois seriam julgados nesta segunda-feira (23), mas o júri popular foi adiado após os advogados do ex-parlamentar abandonarem o plenário. No mesmo dia, a Justiça do Rio concedeu liberdade provisória para Monique com a alegação de excesso de prazo e que ela contribuiu para a realização da sessão.
Tanto a mãe de Henry, quanto o ex-vereador, estão presos desde abril de 2021, mês seguinte à morte da criança de 4 anos. Monique chegou a sair da cadeia após uma decisão da Justiça em 2022, mas voltou depois de decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2023.

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