Vacinação contra o sarampo é a forma mais eficaz de combater a transmissão da doençaErasmo Salomão/MS

Rio - Após quatro anos sem registros no Rio, um caso de sarampo foi confirmado nesta quarta-feira (1º) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). Embora a notificação sirva de alerta, até o momento, não há indicativos de que o vírus tenha voltado a circular no Brasil. O registro, no entanto, chama a atenção para a cobertura vacinal contra a doença e a importância da adesão ao esquema completo do imunizante.
A paciente infectada, uma jovem de 22 anos, não possuía registro de vacinação contra o sarampo, de acordo com a SES. A O DIA, o médico infectologista Alberto Chebabo, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, falou sobre a importância da imunização contra a doença em todo o estado do Rio.

“É um caso de alerta. O Rio de Janeiro tem mais de 100% da cobertura vacinal, porque a gente acaba fazendo vacina para municípios vizinhos, mas, mesmo assim, você tem eventualmente a transmissão de um caso num adulto não vacinado. Essa é uma preocupação. Isso é um alerta. Sempre existe um risco, principalmente com essa ressurgência do sarampo no resto do mundo, de ter reintrodução da doença aqui no Brasil”, explicou ele, que seguiu.

“A outra grande preocupação é que o município do Rio de Janeiro tem taxas elevadas, mas se você olhar, por exemplo, alguns municípios da Baixada Fluminense, essas taxas de cobertura vacinal são baixas. Tem municípios com 80%, 60% de cobertura vacinal. Esses bolsões de baixa cobertura vacinal são muito preocupantes, porque eles abrem uma porta para uma possível reintrodução da doença. E o vírus não respeita fronteiras. Não adianta só ter o município do Rio de Janeiro vacinado se a gente não tiver uma boa estratégia de vacinação nos municípios ao redor e nos estados todos aqui no país. O sarampo é uma doença causada por um vírus altamente transmissível. A única forma de reduzir o risco de transmissão e os números da doença é através da vacinação”, disse.

Segundo a SES, a paciente trabalha em um hotel na Zona Sul. Devido a isto, a hipótese mais provável é a de que ela tenha tido contato com algum turista infectado e, por não possuir a vacina, foi contaminada. De acordo com a pediatra infectologista Cristiana Meirelles, gerente médica da Beep Saúde, a queda da cobertura vacinal pode causar o retorno da doença ao Brasil.

“Aqui no Brasil, já não não tem mais a circulação endêmica. Não é um vírus que mora no nosso país, mas eventualmente vem um caso de fora e acaba colocando em risco a nossa população se a cobertura vacinal tiver baixa. É importantíssimo que a cobertura esteja alta, porque a vacina contra o sarampo é uma das mais eficazes. A princípio, se a população toda estiver vacinada, é quase que impossível voltar a ter sarampo endêmico no país”, afirmou.

O sarampo é uma doença viral, com fácil transmissão respiratória, que causa sintomas como febre, coriza, tosse, conjuntivite, além de manchas vermelhas por todo o corpo, uma das características principais da doença. “Esses sintomas ainda podem evoluir com pneumonia, encefalite, insuficiência respiratória e até óbito”, alertou Cristiana.

“É um vírus, uma doença que tem um potencial de gravidade grande, principalmente em pacientes mais frágeis, como crianças pequenas, pacientes imunossuprimidos, pacientes que usam imunossupressores ou que têm uma doença imunossupressora, como os oncológicos, por exemplo, que fazem quimioterapia. Eles têm um grande risco de complicação, inclusive morte”, completou Alberto.

Segundo os especialistas, uma vez que o paciente nota os sintomas da doença, é de extrema importância que procure uma unidade de saúde o mais rápido possível. De acordo com Cristiana, a notificação da doença é “importantíssima”.

“É importantíssimo fazer a notificação da doença para o Ministério da Saúde, para a Secretaria Municipal de Saúde, para que seja feita a vacinação de bloqueio dos contactantes próximos e a busca ativa de pessoas que tiveram contato com essa pessoa doente”, explicou.

De acordo com Alberto, a partir do diagnóstico de um paciente, todo o entorno dele começa a ser investigado e vacinado, para evitar a disseminação da doença. “As pessoas transmitem mesmo sem saber que são doentes, porque existe um período de incubação longo e, dentro desse período, a pessoa está transmitindo mesmo não tendo nenhum sintoma. Não tem como fazer uma medida de prevenção sem a vacina. E mesmo nos casos onde a gente tem diagnóstico, o que fazemos é o bloqueio vacinal secundário. A gente pega todos os contactantes, principalmente no local de trabalho e na residência, e vacina todo mundo para reduzir o risco de transmissão. Além disso, a vigilância sanitária fica atenta, seguindo os contactantes durante duas a três semanas para avaliação de aparecimento de algum caso suspeito”, disse.

Segundo ele, mesmo pessoas que já receberam a vacina anteriormente podem acabar sendo imunizadas novamente caso tenham contato com a doença. “A vigilância sanitária vai avaliar caso a caso, mas normalmente aqueles que não têm as duas doses, ou não têm certeza, já que muitas vezes as pessoas não têm a comprovação da vacinação, a gente revacina sim”, contou.

Embora, até o momento, não seja motivo de preocupação, o caso registrado no Rio serve de alerta. “A princípio, não é nada para se apavorar, serve mais como um alerta para a gente colocar vacina em dia, porque estando a vacina em dia, a chance de ter complicações do sarampo são mínimas. Não é nada para ficar apavorado, mas é uma sinalização de que ficamos suscetível se não estiver com a vacinação em dia. Todo mundo, inclusive adultos, idosos… todos têm que ter duas doses da vacina contra o sarampo, duas doses da Tríplice Viral depois de um ano de idade”, afirmou Cristiana.