Musa mirim da Mocidade Independente de Padre Miguel, Sofia Paiva, de 10 anos, foi alvo de racismoDivulgação

Rio - A musa mirim da Mocidade Independente de Padre Miguel, Sofia Paiva, de 10 anos, foi vítima de racismo em uma escola particular em Madureira, na Zona Norte, ao ser chamada de "escrava" por outro aluno da mesma idade. O caso aconteceu na última quarta-feira (1º), durante a aula. Em entrevista ao DIA, o pai da menina, Diogo de Jesus, mestre-sala da agremiação, contou que Sofia também foi ofendida, sendo chamada de "nojenta".

Diogo e Thainá Paiva, mãe de Sofia, comunicaram o ocorrido à escola, que realizou uma reunião com eles no dia seguinte. Na visita à unidade, o mestre-sala detalhou que um professor chegou a indagar o estudante se ele sabia o significado do termo "escravo", e ele respondeu que "eram pessoas que trabalhavam e não ganhavam dinheiro".

Após o ocorrido, Sofia ficou muito abalada, chorou bastante e tem se recusado a ir para a escola. "Fomos à escola e tivemos essa reunião, na qual mostramos nossa indignação. Agora esperamos um encontro com os pais do aluno, mas o trauma fica. Minha filha não queria ir para a escola. Dissemos a ela que não pode se esconder e que vamos lutar junto com ela", disse Diogo.

Os pais pretendem registrar um boletim de ocorrência na segunda-feira (6). A primeira denúncia sobre o ocorrido foi feita nas redes sociais de Diogo, que demonstrou toda a indignação em uma publicação. No texto, ele diz que não irá se calar diante do caso. Ainda na mensagem, o mestre-sala reforçou as qualidades da filha.

"Sofia tem uma base muito forte dos familiares, ela sempre me viu correr atrás dos meus objetivos, viu e vê sua mãe correr atrás e dar todo o suporte que ela precisa para ser uma menina educada e inteligente. Através do brilho que ela tem, se tornou musa e é essa menina deslumbrante dentro e fora do carnaval. Por que eu falo isso?! Pelo simples fato de, neste momento, darmos as mãos contra o racismo. Ele convive com a gente diariamente e precisamos combater isso", escreveu.

A Mocidade Independente também se pronunciou sobre o ocorrido e demonstrou solidariedade à musa mirim. "Sofia, minha filha, que ninguém possa retirar esse sorriso do seu rosto. Ninguém tem o direito de ofender ninguém, muito menos cometer um crime de racismo. Chega. Basta. Eu não aguento mais. Pais, mães, responsáveis, a educação vem desde cedo. Não tolerem qualquer crime cometido, seja quem for, seja qual idade for. Estou arrasada, porque quem machuca uma filha minha me machuca duas vezes. Sairemos mais fortes juntas dessa. Ninguém vai nos calar. Nós não vamos sucumbir!", escreveu a escola.