Rio - Sob forte emoção e pedidos por justiça, o adolescente Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (3), no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. O corpo do jovem foi localizado na quarta-feira (1º), em um rio próximo à Estrada do Gabinal, na Freguesia. Segundo as investigações, ele teria sido sequestrado, torturado e morto por traficantes do Comando Vermelho (CV).
O momento de despedida reuniu familiares e dezenas de amigos do adolescente, que, em homenagem, vestiam camisas com o rosto dele e a frase: "Saudades eternas". Pelo menos três ônibus lotados com parentes e colegas saíram de Senador Camará, onde a vítima morava, em direção ao cemitério.
A mãe de Ronaldo, Monique Andrade, mostrou-se bastante abalada. Em suas redes sociais, ela desabafou após o enterro: "Obrigada a todos que compareceram. Graças a Deus conseguimos nos despedir e dar um enterro digno para o Ronaldo, mas essa luta está longe de acabar. Vamos fazer tudo para ter justiça. Não podemos normalizar essa crueldade que aconteceu com ele. Os responsáveis por isso vão pagar".
Gesto com as mãos pode ter motivado fúria de criminosos
Um sinal com as mãos feito pelo , ao posar para uma foto, pode ter motivado a morte do jovem. Segundo relatos da mãe, Monique Andrade, ele e mais dois amigos, todos menores de idade, foram abordados por criminosos da comunidade Cesar Maia, dominada pelo Comando Vermelho (CV), na noite de domingo (29).
Ronaldo era morador de Senador Camará, área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Conforme apurado pelo DIA, o suposto gesto na foto encontrada pelos traficantes seria de Ronaldo fazendo o número três, em alusão à facção rival. A família afirma que ele não tinha envolvimento com o tráfico de drogas e que sonhava em seguir a carreira de mecânico. Além disso, fazia aulas de muay thai semanalmente e acumulava medalhas em competições da modalidade.
O caso foi inicialmente registrado na Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e, posteriormente, encaminhado à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que dá prosseguimento às investigações
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