Ministério Público Federal quer que INSS facilite o atendimento a pessoas que vivem em situação de ruaTânia Rêgo/Agência Brasil
A recomendação aponta que o modelo atual de atendimento impõe exigências desproporcionais, que dificultam o acesso a direitos básicos, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Para o procurador regional dos direitos do cidadão adjunto Julio Araujo, é necessário rever práticas administrativas que ampliam a exclusão social.
O procurador também destaca que o Estado deve adotar medidas que eliminem a criminalização da pobreza e evitem a revitimização de pessoas em situação de rua, em linha com diretrizes nacionais e internacionais de direitos humanos.
Exigências desnecessárias
A medida se baseia em normas internas do próprio instituto, que já reconhecem a validade jurídica de documentos eletrônicos. Ainda assim, a falta de padronização entre as unidades tem gerado obstáculos ao acesso de usuários, especialmente os mais vulneráveis.
Atendimento presencial garantido
Segundo o MPF, a priorização de canais remotos e a limitação do atendimento presencial impõem um ônus desproporcional a quem não dispõe de acesso à internet ou telefone. “A população em situação de rua necessita de ações interventivas do Estado para ter acesso aos direitos essenciais para uma existência minimamente digna”, ressalta Julio Araujo.
O procurador lembra ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu o “estado de coisas inconstitucional” vivido por essa população, o que exige respostas rápidas e efetivas do poder público.
Capacitação e atendimento humanizado
A autarquia também deverá informar, em até 30 dias, se acatará as medidas recomendadas. Em caso de descumprimento, o MPF poderá adotar providências judiciais para garantir a efetivação dos direitos sociais e o acesso à proteção previdenciária e assistencial.

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