Print da conversa entre um policial militar e criminosos Divulgação/MPRJ

Rio - Conversas interceptadas pela Polícia Federal mostram uma relação estreita entre os policiais militares presos nesta terça-feira (7) e Rafael Alves Esteves, conhecido como Lacraia, gerente da comunidade do Az de Ouro, em Anchieta, na Zona Norte, e Samyr Jorge João David, conhecido como Mano, chefe do tráfico na mesma favela.
Os sargentos Ricardo da Silva Ferreira (lotado no 41º BPM), Raphael Nascimento Ribeiro (lotado no 14º BPM) e Thiago Corrêa da Costa (lotado no 18º BPM) respondem por desvio de armas, drogas e cargas apreendidas, além da posterior venda desse material a organizações criminosas no Rio.

Em um trecho das conversas, divulgado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), o agente Ricardo aparece tentando revender armas ao tráfico de drogas ao qual Lacraia está ligado. Em determinado diálogo, o então investigado compartilha a imagem de uma pistola 9 mm, de fabricação argentina, e a oferece ao criminoso pelo valor de R$ 6 mil. Ao longo da conversa, fica claro que Lacraia atuava como intermediário na negociação da arma com Mano.

Na sequência das mensagens, Ricardo reclama com Lacraia que o pagamento pela arma não havia sido efetuado, apesar de já ter feito a cobrança ao criminoso Marreta, apontado como braço direito de Mano.
Além de negociação com traficantes, os PMs usavam o batalhão de Irajá como depósito de armas desviadas nas ocorrências.
O que diz a PM
Por meio de nota, a PM informou que os sargentos foram encaminhados à unidade prisional da corporação. "O comando da Polícia Militar reitera que não compactua com desvios de conduta ou cometimento de crimes praticados por seus entes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos", ressaltou.