Jonas Afonso, filho da Maré, agora instala com a Águas do Rio as redes de saneamento que garantem a saúde de sua própria comunidadeDivulgação
Esgoto a céu aberto e água contaminada se misturam à que chega à torneira por redes precárias, feitas no improviso — aspectos de uma realidade que hoje Jonas trabalha para mudar. Ele é um dos mais de 160 contratados pela Águas do Rio, empresa do grupo Aegea, para instalar redes de água e de esgoto em todo o conjunto de 16 favelas que formam a Maré. E o fato de a mão de obra ser local faz toda a diferença.
“Durante o trabalho, concluí a instalação de tubulações de esgoto em um beco onde qualquer chuvinha fraca alagava tudo, e a água suja demorava dias para escoar. O pessoal que mora lá colaborou muito, alguns até saíram de casa querendo ajudar na obra”, conta Jonas, que trabalha de viela em viela implantando a primeira rede oficial de esgoto da Maré. “Fico feliz todas as vezes que resolvo um problema de anos e vejo um sorriso de gratidão e felicidade do pessoal da minha comunidade”, afirma. “Estou vendo o meu emprego melhorar o lugar onde eu moro”, finaliza.
A obra em que Jonas está trabalhando é a maior intervenção de saneamento já realizada em um conjunto de favelas do porte da Maré, onde vivem cerca de 200 mil pessoas. Estão sendo implantados 18 quilômetros de redes de esgoto e um grande coletor, com até 1,5 metro de diâmetro, que vai atravessar o subsolo das 16 comunidades, captando esgoto, interceptando valões, rios e ligações irregulares na rede pluvial e encaminhando tudo para tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto Alegria, no Caju.
“O esgoto vai ser afastado das pessoas, e as famílias vão ganhar mais saúde. Cada imóvel terá água segura e uma conta que cabe no bolso. Até o final de 2027, o improviso vai ser coisa do passado na Maré”, explica Renan Mendonça, diretor executivo da Águas do Rio, sobre as obras inéditas de saneamento básico, que vão contar com um investimento de R$ 120 milhões.
Nos próximos dois anos, o projeto vai mobilizar mais de 300 trabalhadores, a maioria moradores da própria região. Jonas é um deles e não esconde o orgulho de estar transformando o lugar onde cresceu. Trabalhar perto de casa também significa chegar mais cedo para jantar com a mulher e a filha.
O degrauzinho do valão ainda está lá na porta. Mas, pela primeira vez, tem data para se tornar obsoleto.








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