Praça Sarah Kubitschek, em Copacabana Zona Sul do Rio de Janeiro, está passando por revitalização após pedidos de moradores.Érica Martin/Agência O Dia

Rio – Após anos de reclamações sobre abandono, insegurança e uso irregular, moradores de Copacabana comemoraram o início das obras de revitalização da Praça Sarah Kubitschek, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, entre as ruas Djalma Ulrich e Almirante Gonçalves, na Zona Sul, nesta quarta-feira (8).

A intervenção era uma demanda antiga da vizinhança, que relata ter deixado de frequentar o espaço devido à degradação ao longo do tempo. “Os moradores pouco ou quase não usavam”, afirmou Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana. Segundo ele, a sensação é de alívio com o início das obras. “Tratamos dessa questão com diversos órgãos ao longo dos anos. Agora, esperamos que a praça volte a ser um local de lazer como já foi um dia.”

A revitalização prevê uma requalificação geral do espaço, com a instalação de equipamentos como parquinho infantil, academia e sombrite, além da retirada de um muro, apontado por moradores como um dos fatores que contribuíam para a insegurança.
A estrutura em questão, ao redor da praça, abrigava um painel inspirado na obra de Millôr Fernandes e, conforme asseguram moradores, dificultava a visibilidade do local e favorecia atos ilícitos. A Prefeitura optou por derrubá-la, integrando o espaço à via pública, e fazer uma réplica da obra em outro ponto do bairro - ainda não definido.
“Fizeram uma espécie de fortaleza. Pessoas eram assaltadas e os criminosos se escondiam dentro da praça. Virou um lixão e um problema de saúde pública”, disse o bombeiro militar da reserva Carlos Wladimir.

Carlos completou recordando que a mobilização dos moradores já dura cerca de sete anos, com registros e denúncias encaminhadas a órgãos públicos. “Nos últimos quatro anos, a situação piorou muito. Tinha uso de drogas, atos ilícitos e até risco de doenças por causa da sujeira”.

O servidor público Tony Teixeira acrescentou: “Praça não tem que ter muro, é um lugar de encontro. Aquilo virou um espaço degradado, com tudo de ruim acontecendo. A população, principalmente os idosos, deixou de frequentar”. Para ele, a obra representa uma vitória coletiva. “É devolver a praça para Copacabana de forma saudável.”

Glória Lupinacci, professora e síndica de um dos prédios no entorno, relatou o impacto direto da praça na rotina dos moradores. “Era insustentável. A gente não dormia à noite por causa de brigas, uso de drogas e até situações de nudez. Sem contar o mau cheiro, ratos e falta de manutenção”. Ela conta que o cenário também era inóspito aos visitantes: “Turistas chegavam e iam embora. Ninguém queria ficar aqui.”

Ressalvas

Apesar da expectativa positiva, há preocupações. “A nossa sensação é de alívio, mas há receio com a ausência de grades no projeto. Sem controle de acesso, pode haver uso em qualquer horário, trazendo incômodo à vizinhança”, afirmou Horácio.

Ele também ressaltou que a obra por si só não contempla questões sociais mais amplas. “A reurbanização não resolverá o problema da população em situação de rua, que depende de políticas públicas de assistência social e saúde.”

Limpeza e respostas

A Comlurb informou que realizava limpeza diária no local, o que foi confirmado por moradores, embora relatem que o problema persistia devido ao uso contínuo da praça.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura do Rio, a Subprefeitura da Zona Sul e a Secretaria Municipal de Conservação, mas não houve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.
*Matéria do estagiário Guilherme Domingues sob supervisão de Luiz Maurício Monteiro