Nilze Carvalho é um dos nomes celebrados pelo Trem do Choro neste anoDivulgação

Rio – Os trens da SuperVia vão receber, a partir das 10h desta quinta-feira (23), feriado em homenagem a São Jorge, o tradicional Trem do Choro. Tendo como destino final a estação de Olaria, na Zona Norte, a edição deste ano celebra o legado do trombonista Zé da Velha (1942- 2025) e obra da cantora e compositora Nilze Carvalho. 
A data também comemora o Dia Nacional do Choro, criado para lembrar o nascimento de Pixinguinha (1897-1973), expoente do gênero e um dos maiores nomes da história da música brasileira.
Para participar, o público deve se concentrar na Central do Brasil e embarcar no trem do ramal Saracuruna, na plataforma 12, com previsão de saída às 11h18. A entrada é o custo normal do bilhete.
Ao chegar ao destino, músicos e fãs do gênero musical nascido no fim do século XIX, no Rio, vão desembarcar e caminhar até a Praça Ramos Figueira, onde fica o "Reduto Pixinguinha". O local é perto de onde o músico morou por anos.
Ao DIA, Nilze Carvalho revela que o gênero moldou sua vida: “Eu tenho o choro como minha base musical, minha base de vida. Comecei a tocar muito cedo, com 5 anos e venho até hoje. Apesar de trabalhar mais com o samba, eu nunca me distanciei do ritmo que sempre fez parte da minha história. Não tem como negar.”
A artista multi-instrumental afirma ainda que se sente muito empolgada com a homenagem: “Já participei de algumas outras edições anteriores, já fui lá tocar com a galera, mas este ano vai ser especial. Estou super ansiosa, me preparando emocional e fisicamente, né, porque tem que tocar bastante. E com certeza eu tocarei o “Choro de Menina”, que eu fiz com meu pai lá em 1981. Eu havia deixado de tocar por um tempo, mas quando meu disco completou 40 anos, eu revivi a música no meu repertório.”
Mozart Chalfun, integrante do Coletivo Trem do Choro e um dos organizadores, detalha o trajeto e já adianta que o evento não tem hora para terminar: "O Circuito Mestre Siqueira começa na Estação de Olaria, também chamada de estação Chorona Zé da Velha, vai até o reduto e se separa em 4 pontos de referência: Praça Ramos Figueira, Point do Choro (Bar do Reginaldo), Estátua do Pixinguinha (Bar da Portuguesa) e, por fim, na Travessa".
"O final é imprevisível, o choro rende e fica difícil de acabar", brinca Mozart.
Na última edição, o cortejo homenageou o bandolinista Hamilton de Holanda, um dos idealizadores da data comemorativa, e seguiu até a Travessa Pixinguinha, em comemoração ao compositor. A animação contagiou o público, que lotou os trens rumo ao bairro da Zona Norte.
Já em 2024, o Trem do Choro fez um tributo, ao som de violões, flautas e tamborins, às canções de Jacob do Bandolim, Severino Araújo, Chiquinha Gonzaga, Altamiro Carrilho, Raphael Rabello, Joaquim Callado e Paulo da Portela, em que cada um nomeou um vagão diferente.

*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Raphael Perucci