Seu João Aleiixo vai ao Ceja da Central do Brasil para estudar com a tutoraDivulgação
A vida antes das letras: o sacrifício por uma linhagem de doutores
A trajetória de João é um espelho de milhões de brasileiros. Ele parou de estudar na 2ª série para ajudar os pais na roça e, mais tarde, dedicou 21 anos a um armazém, no Rio de Janeiro, trabalhando de domingo a domingo, das 6h às 22h.
O objetivo era garantir que seus seis filhos tivessem o que ele não teve: todos hoje possuem curso superior e chegaram ao nível de doutorado. "Eu dizia: 'vocês vão estudar, mas vão fazer um horário aqui. Cada um trabalhava duas horas no armazém", recorda João. Hoje, além dos filhos doutores, o patriarca já vê o legado da educação se estender por sua família, que inclui oito netos e bisnetos. Após ver a missão cumprida, ele sentiu que era sua hora: "Meus filhos todos formados e eu não sabia nada", relembra.
A escola como refúgio e superação digital
A jornada até o CEJA também revela os desafios da terceira idade. João desistiu de usar ônibus após quase cair em um bueiro sem tampa na Avenida Brasil. Hoje, esse morador do bairro do Engenho Novo, na Zona Norte carioca, chega à escola de táxi e encontra na Fundação Cecierj um ambiente de acolhimento único.
Diferente do ensino regular, o CEJA oferece a flexibilidade que o público adulto e idoso precisa. Além de avançar em disciplinas como Literatura e Artes, João venceu a barreira tecnológica. "Minha esposa tem computador, mas eu não me interessei. Só quando levo conteúdo daqui, que preciso estudar em casa no computador, em que aprendi a mexer. Eu não sabia nem ligar", revela.
Um recado de quem esperou nove décadas
Para o Sr. João, o estudo é um acerto de contas com o destino e o caminho para o seu próximo grande sonho: cursar a faculdade de Teologia. Antes de encarar a maratona de exames que se aproxima, ele deixa um conselho vital:
"Estude. Sem estudar não se é nada, ainda mais hoje em dia. Vejo pelos meus filhos, deu certo para eles. Brincar e viver é bom, mas tem gente que deixa de estudar para entrar em vício, em droga e tudo que não presta. Estude, e só isso”, diz o sábio sr. João, já preparadíssimo para fazer o Provão do CEJA, que certifica a conclusão do Ensino Fundamental e acontece entre os próximos dias 27 e 30 de abril.Depois, novos objetos e mais sonhos pela frente. Alguém duvida?
Melhor idade em expansão
O Brasil está envelhecendo e isso é estatístico. O número de pessoas com mais de 60 anos no país aumentou e hoje chega a 35,5 milhões de pessoas, subindo de 11,3% para 16,6%, nos últimos 13 anos. Em 2022, eram 22, 2 milhões.
Os dados constam na pesquisa PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada no último dia 17 de abril. O estudo apontou, em contrapartida, que a população com menos de 30 anos no país teve queda de 10,4% no intervalo de 2012 a 2025.
Diante desses números e da gangorra econômica em que vivem as famílias brasileiras, muitas pessoas com mais de 60 anos e mesmo aposentadas seguem no mercado de trabalho e buscam também completar ou aperfeiçoar a formação escolar e ampliar a sua capacitação profissional.
Por essas e outras, pessoas como o nonagenário João Aleixo se reciclam e fazem do ensino uma ferramenta de seguir alavancado seus sonhos, a despeito de qualquer barreira ou idade.
O próximo passo: sua chance de reescrever a própria história
O exemplo do Sr. João Aleixo não é apenas uma história de admiração; é um chamado à ação para milhares de fluminenses que, por diferentes motivos, pausaram seus sonhos. Se para um patriarca de 91 anos, com filhos doutores e bisnetos, ainda é tempo de conquistar o diploma, para você também é.
A Fundação Cecierj reforça que o caminho para transformar a vida através da educação passa pelo Provão CEJA 2026., que acontece anualmente. Esta é a oportunidade de obter a certificação de conclusão e abrir novas portas no mercado de trabalho ou no ensino superior. Quem estiver interessado em estudar também pode se inscrever no CEJA pelo www.cecierj.edu.br

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