Danielly foi encontrada morta dentro de casaAcervo pessoal

Um ano após a morte de Danielly Rocha da Silva Sousa, de 38 anos, a família denuncia ainda não ter respostas sobre o que aconteceu com a ativista trans e cozinheira, encontrada morta na casa em que morava, na Lapa, em 2 de maio de 2025. Sem respostas, os dias têm sido de angústia.
Ao DIA, Cida Passos, prima de Danielly, conta que ficou responsável por representar a família no Rio, já que a vítima era de Belém (PA) e ela é uma das poucas parentes que moram na cidade. Segundo ela, diversas tentativas de contato com a 5ª DP (Mem de Sá), delegacia responsável pelo caso, já foram feitas, mas até o momento não há qualquer vislumbre se solução do caso.
“Até agora a gente não teve resposta, eu fui lá umas cinco vezes. Me deram um telefone de quem estava à frente da investigação, mas todas as vezes que eu ligava para lá, não conseguia falar com ele. Na segunda vez que fui, eles falaram que eu tinha que ter uma procuração da mãe, para que eu conseguisse saber de alguma coisa. Ela foi lá no cartório, tirou a tal procuração e me enviou. Na terceira ou quarta vez que voltei, falaram que estava sob sigilo e que o Ministério Público ia ser responsável pelo andamento do caso, só que até hoje não tive resposta de nada”, desabafa.
De acordo com Cida, além da falta de respostas, ela também lida com a angústia da mãe de Danielly, que mora longe e não consegue acompanhar o caso da filha de perto.
“Coitada, toda vez me liga: ‘E aí, como que está, minha filha?’ Eu falo: ‘Tia, ainda não sei de nada, porque já fui na delegacia, mas até agora nada’. E já faz um ano. A gente não tem resposta nenhuma e ela fica como? A pessoa mora longe e um filho ou uma filha morre em outro estado… Até hoje não se sabe o que aconteceu com ela, se mataram, se foi envenenada, overdose… A gente não sabe”, diz.
Na época do crime, foram divulgadas imagens de câmeras de segurança da região que mostraram Danielly entrando em casa acompanhada de um homem. Poucos minutos mais tarde, essa pessoa deixa o local sozinho. A cozinheira foi encontrada morta momentos depois.
Segundo Cida, a família também ainda não tem qualquer informação sobre quem seria este homem. “Até então não sei de nada, porque na época a polícia ia investigar esse caso e as câmeras de segurança, que mostram a pessoa que entrou com ela, mas até hoje não me falaram nada, a gente não tem resposta de nada. Através dessas imagens que eles iam investigar… Não sei se esqueceram ou se foi mais uma na estatística, sei que até hoje a gente não teve resposta”, afirma.
Para Cida, que foi quem reconheceu o corpo de Danielly no Instituto Médico Legal (IML), os dias após a morte da prima foram os piores que já viveu. Ao se lembrar do período, voltou a se emocionar. “Foi um dos piores dias da minha vida. Ela era uma menina sonhadora, passou um filme pela minha cabeça. Quando eu recebi a notícia, meu meu chão abriu. Um momento que eu não consegui digerir de jeito nenhum. O dia em que fui reconhecer ela, foi muito triste. A minha maior indignação é que ela foi morta, não sabemos como, por quem, por qual motivo, e infelizmente acho que é mais uma na estatística, porque não obtivemos respostas”, diz.
De acordo com Cida, a prima se preparava para voltar a Belém para visitar a família. De acordo com ela, Danielly passaria o aniversário, comemorado em 8 de maio, ao lado da mãe. “Ela era muito alegre, gostava mesmo de comemorar o aniversário, de fazer alguma bagunça, sair para comemorar. É muito triste, porque já tem um ano que aconteceu. Se a gente já soubesse de alguma coisa, seria mais um alívio, até mesmo para a família que está longe”, conta.
A falta de respostas é um dos piores sentimentos para Cida, que exaltou quem Danielly foi. “Ela era amiga de todo mundo, uma menina determinada quando queria alguma coisa. Para mim, são só boas lembranças O nosso principal desejo é justiça. Que o caso seja esclarecido, que a gente tenha uma resposta para ter certeza do que realmente aconteceu”, lamenta.
Procurados pelo DIA, o Ministério Público e a Polícia Civil não responderam aos questionamentos da reportagem até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.